Essa é do tempo do salário recebido em cheque. Você abre o envelope no dia do pagamento e encontra um cheque 10% maior. Que sensação a surpresa causa? Uau, nem é preciso dizer! Mas espere, os colegas começam a conversar animadamente e você descobre que todos ganharam 20% de aumento. Qual é a sensação agora?
Foi essa montanha-russa de emoções que acometeu os corações petistas ontem à noite. Primeiro eles receberam a notícia de que o presidente americano havia reduzido as tarifas aplicadas contra o Brasil em 10% e explodiram em alegria e comemoração.
"Taí, conseguimos, vocês ficam dizendo que nossos negociadores só marcam reunião para marcar outra reunião, mas o Trump já começou a diminuir as tarifas, não aguentou a pressão. Baixamos de 50% para 40%, agora é só continuar fazendo jogo duro que ele acaba com tudo, devolve os vistos e larga o pé do nosso querido careca."
Mas foi então que os outros países começaram a abrir seus envelopes e a verdade foi revelada. Trump havia praticamente anulado a ordem 14257, emitida em abril, que tarifou produtos de países como Canadá e Brasil em 10%, mas aplicou tarifas maiores (algumas superiores a 30%) à maioria dos países.
A conta é simples: a nossa tarifa baixou de 50 para 40 enquanto a de um produto concorrente foi reduzida de 25 para zero, quem se deu bem? É óbvio que para quem vende algo exclusivo a situação melhorou um pouquinho - o preço baixou 6,6% para o importador -, mas nós ficamos ainda pior na comparação com os demais.
Isso acontece porque o grosso da tarifa aplicada aos produtos brasileiros está nos 40% decretados em agosto, através da ordem 14363, aquela cuja exposição de motivos começa exigindo o retorno da ordem democrática e o fim da perseguição política contra Jair Bolsonaro.
Quem venceu
Tomando ciência dos fatos, os petistas e suas linhas auxiliares recuaram de imediato, deixando apenas alguns franco-atiradores para tentar causar danos secundários: "Trump perdeu, foi obrigado a voltar atrás, sempre volta..." Mas foi mesmo assim?
A baixa geral reduz a inflação, o que é bom para todos, do cidadão comum ao presidente. Manobrando tarifas, Trump fez os acordos que queria, principalmente no Leste da Ásia. E a discussão sobre tarifas na Suprema Corte perde importância porque era, se não me engano, restrita às da ordem 14257.
Eu diria que até aqui Trump se deu muito bem nessa história, ele é o grande vencedor. Do outro lado, o grande perdedor é o Brasil que, para defender os absurdos cometidos por alguns violadores de direitos humanos, vai perdendo mercados que deram trabalho para conquistar enquanto marca reunião para marcar reunião.
Quem também sai vencedor deste round é a direita brasileira, que vê o seu líder máximo prestigiado abertamente a nível internacional. Trump antes podia disfarçar sua defesa de Bolsonaro mesclando-a com questões meramente comerciais. Agora não, ou os dois vencem juntos ou perdem juntos. Torçamos para que vençam.

Nenhum comentário:
Postar um comentário