quinta-feira, 30 de outubro de 2025

E o aiatolá se calou

E o parlapatão arregou. Metido a deitar falação sobre tudo, sentiu que não tinha como se dar bem na história do Rio e acabou nos poupando de escutar aquela voz asquerosa. Lançou uma notinha em que não diz nada com nada e o consórcio de imprensa fez (e fará) de conta que não percebeu sua omissão.

Mas se o aiatolá espertalhão tirou o corpo fora, quem não se omitiu foram os integrantes do conselho revolucionário do atual regime. Xandão exigiu uma série de explicações do governo do Rio e alguém mandou Carminha reabrir um processo que pode cassar o governador Cláudio Castro.

A parte das explicações é um tanto revoltante pelo evidente desrespeito à autoridade do governador, mas basta mandar um estagiário encher linguiça por umas duzentas páginas. Já o outro processo servirá para ver em que parte realmente estamos de um conhecido roteiro.

Realizar eleições, mas proibir a candidatura de qualquer oposicionista que tenha chances de vitória é o que fazem ditaduras como a do Irã, da Rússia, da Venezuela e tantas outras. Por aqui, já prejudicaram milhares de inocentes para tentar retirar Bolsonaro da próxima eleição. Vão querer eliminar Cláudio Castro também?

Note ainda que, dos três exemplos citados, todos sofrem sanções políticas e econômicas de países mais democráticos. Isso não os fez voltar à democracia, mas pode contribuir para tal na medida em que tende a gerar um descontentamento de seu povos e uma pressão adicional sobre seus governantes/ditadores. 

Voltamos assim à questão de ontem. Para quem vive num desses países, ser patriota é ser contrário às sanções externas que prejudicam parte do povo? Ou é apoiar essas pressões para tentar recuperar a elegibilidade dos opositores autoritariamente afastados e voltar a ter um governo que preza a liberdade e a democracia?

Devido processo

Um juiz não pode julgar um processo que ele mesmo abriu e conduziu, principalmente se agiu com evidente parcialidade, sempre favorecendo a acusação. Isso também vale para o STF, mas problemas internos, que ocorram na sede do tribunal, podem ser resolvidos lá mesmo, com um dos ministros abrindo o processo e levando-o até o final. 

Foi baseado nisso que se abriu o famoso "inquérito das fake news", um verdadeiro equivalente aos atos institucionais dos militares que permanece válido e no qual qualquer pessoa pode ser inclusa sem nem sequer ter acesso ao teor da acusação.

Qual foi o truque para transformar uma coisa na outra? Simples, os ministros decidiram, contra a lógica mais elementar, que tudo que envolvesse a internet devia ser tratado como problema interno do tribunal porque eles acessam a internet lá dentro.

É um argumento para idiotas, daqueles que caem na conversa da "diferença entre tentar e atentar" ou do pobre que deixa de ser petista feliz para se transformar em bolsonarista infeliz se ganhar mais uns reais. Esses acham que tudo o que acontece é normal, mas é porque eles não são.

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