Filme famoso em sua época, Lacombe Lucien conta a história de um jovem francês do interior que, embora inicialmente interessado em participar da Resistência, acaba cooptado pela Carlingue, a "Gestapo francesa", cujos membros se dedicavam a cometer indignidades como entregar antigos conhecidos para apossar-se de seus bens.
Esses colaboracionistas eram obviamente movidos pela covardia, a inveja e o rancor, mas procuravam se autojustificar como benéficos à sociedade. Por exemplo: as pessoas não precisam de trens e a Resistência não os descarrilhava de vez em quando? Então, sua missão era evitar esses inconvenientes.
Na verdade os nazis estavam usando os trens para mover tropas e levar prisioneiros para os campos de concentração, e nada era mais importante que derrotá-los naquele momento. O truque dos canalhas consistia em negar a opressão, tratando medidas adotadas para combatê-la como se tivessem outra motivação.
No fim a guerra está virando e Lucien ameaça se redimir auxiliando uma moça judia e sua avó, mas o filme informa que ele foi capturado e fuzilado pouco depois. A vida imitou a arte, o ator que interpretava o papel morreu meses mais tarde, aos 20 anos de idade. O homem jovem não foi muito longe.
Ainn, ele acabou com...
Em seus esforços para tentar justificar o apoio ao arbítrio, os invejosos meninos que querem se apossar do que outros conquistaram voltam à cantilena do "ainn, Bolsonaro defende a corrupção porque acabou com a Lava Jato".
Em primeiro lugar a Lava Jato não era um quarto poder, era uma operação que não podia mesmo se eternizar como alguns inquéritos irregulares que conhecemos. Em segundo lugar, se ele acabou com ela foi, como disse, no sentido de torná-la desnecessária ao conduzir um governo sem nenhum caso de corrupção.
Esse é o papel do Executivo no combate à corrupção. O resto cabe ao Judiciário, sobre o qual nem o maior sofista terá coragem de insinuar que Bolsonaro tinha controle. É na cúpula deste poder que sempre esteve a maior oposição ao Capitão. E, não por coincidência, é ali que está hoje o porto seguro dos grandes corruptos.
Com o prestimoso auxílio dos meninos invejosos, a corrupção voltou com tudo ao Executivo e não precisa temer mais nada no Judiciário, onde condenações passaram a ser anuladas assim que Bolsonaro deixou o poder.
Os canalhas mirins fingem indignação com uma para tentar dificultar o combate à outra, mas na prática estão defendendo tanto a corrupção quanto a ditadura. Talvez levem algumas vantagens no curto prazo, não se sabe o que rola nos bastidores. Mas vão morrer politicamente mais cedo do que imaginam.

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