sábado, 13 de setembro de 2025

Que peninha

Peninha, primo trapalhão do Pato Donald que vivia com o cabelo desalinhado e virou jornalista, foi o apelido que o pessoal da Zero Hora deu ao colega falador e atabalhoado que apareceu por lá antes de completar 18 anos. Um nome fofinho para o menino agitado cujas peraltices eram encaradas com sorrisos divertidos.

O problema é que o sujeito nunca arrumou o cabelo - ao contrário, cultivou uma barba que combinava com ele - e saiu pela vida com a certeza de que podia fazer e dizer o que quisesse porque sempre seria o enfant terrible do qual a família se orgulha. 

Acho que só virou mesmo Eduardo Bueno quando escreveu alguns livros de relativo sucesso nacional e passou a apresentar programas no History. Mas continuou falando tudo que lhe vinha à cabeça e criticando qualquer coisa com a qual não concordasse com a virulência descuidada de um adolescente.

Esquerdista fanático, agressivo, daqueles que culpam Bolsonaro pela pandemia e chamam até tucano de fascista, não lhe pareceu exagerado gravar um vídeo em que zomba do assassinato do Charlie Kirk e chega ao cúmulo de dizer que suas duas filhas pequenas viverão melhor sem o pai.

Como se fosse pouco, teve o vídeo derrubado pelo Instagram e gravou outro reiterando o que havia dito. Talvez ainda venha a pedir desculpas quando passar o efeito das substâncias e alguém o convença de que poderá perder dinheiro com tudo isso. Mas sua insistência até aqui já é significativa.

Ele não consegue conceber que fez algo errado. E não só em termos de consciência, mas de comportamento social. Não lhe ocorre que tenha que ao menos fingir respeito a alguém que ele e seus amigos consideram desprezível. Na sua cabeça, quem não pertence à sua bolha é uma espécie de raça inferior que não tem direito a existir.

Mas a grande questão é que o Peninha não surgiu do nada e não passou meio século incólume por acidente. Como os próprios esquerdistas gostam de dizer, ele é fruto da sociedade em que se desenvolveu. De uma parcela dela, é verdade. Mas uma forte o bastante para permitir uma trajetória como a sua.

Que essa turma domine a comunicação do país explica muitos de nossos problemas. Pegando o exemplo do seu último julgamento, o atual STF teria coragem de cometer os absurdos conhecidos por todos e detalhados por Fux se os jornalões expusessem seus abusos desde o início? É óbvio que não. 

Ter uma mídia repleta de Peninhas é um desastre para qualquer democracia. E o pior é que o Peninha também tem um seguidor, um sobrinho chamado Biquinho. Pelo menos era isso nos gibis antigos, depois das EBCs e dos ICLs talvez tenham mudado seu nome para Boquinha.


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