sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Cenas do futuro

Mar-a-Lago, setembro de 2041. Aos 95 anos Donald Trump já não possui a mesma agilidade, mas se movimenta sem dificuldades e procura manter o estilo do passado. Ele entra na sala como se não tivesse tempo a perder, cumprimenta o biógrafo que o esperava, acomoda-se na poltrona à sua frente e lhe diz para começar.

- Bem, presidente, nós combinamos que não haveriam perguntas proibidas, então deixe-me ir direto para uma que creio ser um tanto constrangedora para um vencedor como o senhor. A pergunta é: qual foi a sua maior derrota, a mais vergonhosa?  

- Well, eu me considero uma pessoa muito tenaz e gosto de lutar até vencer. Tive algumas derrotas em assuntos menores, é evidente, mas no final sempre fui vitorioso. A única exceção foi a batalha que travei contra o STF do Brasil.

- Eu me me lembro, o senhor aplicou sanções e sobretaxas, incluiu pessoas na Lei Magnitsky, fez muita coisa contra eles.

- E nada adiantou. Aqueles homens eram duros, muito duros, nada os faria recuar. Moraes, o líder, era inabalável, quase sobre-humano. Mas o que dizer de Mendes, daquele obeso de que não lembro o nome, de Barrosa... Homens e mulheres, pois havia uma ministra, Carmen Miranda se não me engano, cuja força de caráter era espetacular.

- Isso o incomodou?

- Demais, principalmente porque eles debochavam de minhas medidas, riam, me ridicularizavam. Tentei usar o poderio de nosso país contra o deles, mas aí foi Lule quem entrou em ação, utilizando meus ataques para ganhar apoio do seu povo enquanto desmoralizava minha política internacional. 

- Foi por isso que perdemos a América do Sul para a China? 

- Sem dúvida. Não esqueço dos diplomatas fantásticos que nos causaram esse revés, Celso Amorim, Mauro Vi... cof, cof... Via... cof, cof, cof... arghh!

- Presidente, o senhor está bem? Presidente! Alguém ajude! Help! Help!!

O médico chega correndo, Melania logo depois. O robô-maca leva Trump para o pequeno hospital da mansão. Ela diz:

- Vocês estavam falando de Moraes e seu STF, não é mesmo?

- Sim.

- A culpa foi minha, eu devia ter lhe avisado que ele às vezes passa mal quando lembra desse assunto.

- Sinto muito, eu volto quando o presidente estiver melhor.

- Não, espere, ele é forte e logo estará bem. Eu lhe faço companhia. Me fale do seu livro, você já decidiu qual será seu título? 

- Eu sei que um livro de memórias trata do passado, mas queria também destacar o que o presidente acredita que a América enfrentará e o que deve fazer mais à frente, quando ele não estiver mais aqui. Pensei em algo diferente como "Cenas do futuro que nunca veremos", o que lhe parece?

- Gostei, é intrigante, atraente. Posso mandar lhe servir outro café? É brasileiro.

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