Se alguém solicitar com boas maneiras e um motivo razoável, você é capaz de ceder seu lugar na fila ou levantar um pouco mais cedo da mesa do restaurante. Mas se a pessoa chegar gritando e exigindo sua saída, é mais provável que você tome outro café antes de pedir a conta.
Muito pior é agir assim na política, onde a persuasão deveria ser o caminho para buscar o apoio do cidadão. No entanto, é o que tem acontecido com os grupos mais à esquerda (ou mais globalistas ou coisa do tipo) e seus grandes aliados (ou subordinados) na imprensa em geral.
Eles foram gentis enquanto pareciam estar vencendo e impondo sua agenda sem contestação. Pautas como salvar o planeta ou dar direitos a homossexuais já são relativamente antigas e foram inicialmente bem aceitas. Afinal, quem quer viver numa pocilga poluída? Quem vai defender que o sujeito seja demitido porque é gay?
O problema é que eles foram exagerando a ponto de, só para citar um exemplo, querer obrigar as pessoas a dizerem que um homem é uma mulher. E isso coincidiu com a emergência das redes sociais, através das quais as mesmas pessoas passaram a manifestar discordância com esses abusos.
A reação dos antigos bonzinhos foi a pior possível. Aquele sujeito sorridente que perguntava se você não podia tomar o café no balcão para que a sua mãe velhinha pudesse sentar se transformou num ditador que não admitia que você tivesse outra opinião e exigia sua submissão incondicional.
Por mais simplista que pareça, isso está na base da crise atualmente experimentada pela linha política que parecia dominar o mundo poucos anos atrás. Mas deixemos que continuem assim, como eu não quero que me digam o que fazer também não vou ficar me metendo na vida de ninguém.
O especialista
Esses dias, na Folha, um "especialista" criticava a CDU (partido do atual premier alemão), que adotou um discurso anti-imigração para recuperar eleitores que estava perdendo para a AfD (a "ultradireita"). A CDU venceu, mas a AfD continuou crescendo porque o motivo para o povo apoiá-la é outro. Disse o especialista:
O que a AfD fez foi bastante inteligente do ponto de vista da campanha. Eles disseram "somos o normal", o partido das pessoas normais. "Quando você vota em nós, você pode comer o que quiser, não vamos torná-lo vegetariano, você pode usar óleo, pode usar gás, não vamos ficar lhe ensinando coisas".
Foi um erro da CDU achar que a imigração era um gatilho. É um gatilho para eleitores da AfD. Porém o crescimento da legenda não se deveu à decepção com a imigração. As pessoas têm visões muito diversas sobre esse problema, mas o resultado das urnas foi mais uma reação ao governo em exercício.

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