Não sei como os jornais da Turquia trataram o instante em que Trump disse que eleição roubada era um tema que Erdogan conhecia bem. Se fosse com o descondenado, a imprensa daqui diria que seu objetivo foi elogiar nossa sólida democracia e se afastar de Bolsonaro, alfinetando-o por ter tentado dar um golpe e roubar a eleição.
Dizem que na GloboNews foi pior, mas os jornais do Consórcio já passaram vergonha de sobra ao tentarem vender o alegado contato entre Trump e Lule como uma vitória do petista: o americano se rendeu ao seu charme e decidiu abandonar Bolsonaro, diziam eles; as sanções serão derrubadas, não haverá anistia, tudo ficará bem.
O filme deixa mais claro, mas a foto aqui publicada anteontem já mostra que a realidade foi muito diferente. Pegos de surpresas com a declaração de Trump sobre o encontro em que os dois teriam marcado uma reunião em Washington na próxima semana, os petistas ficaram apavorados.
Percebendo a armadilha, logo inventaram a desculpa de que a agenda do Lara estaria lotada. Porém tem muita gente querendo que ele fale com Trump e tente resolver seu problema. E isso inclui empresários e ministros que o tiraram da cadeia e o colocaram na presidência, cujas demandas não podem ser facilmente ignoradas.
Assim, creio que a maior tendência é que ele acabe se vendo obrigado a sentar no Salão Oval, expondo-se a uma situação que não controla pela primeira vez em quase duas décadas. E Trump deve fazer-lhe alguma concessão secundária em termos de tarifas, mas vai apertá-lo e constrangê-lo no principal.
Se isso se concretizar, nossos militantes de redação terão trabalho pela frente. Ontem já estavam alucinados, tentando vender, com afirmações as mais desencontradas, a ideia de que há uma crise dentro do bolonarismo e da relação deste com os EUA. Talvez isso já seja parte do discurso para o pós-reunião, vamos ver o que dizem hoje.
Hoy
"Hoy", dizia em espanhol o responsável pela abertura dos Jogos Pan-Americanos de 2007; "oiiii", respondia zombeteiramente o público presente ao estádio. Foi uma das marcas daquele evento.
Também marcantes foram as vaias ao Molusco. Reeleito há poucos meses, ele acreditou que seria ovacionado pela multidão quando iniciasse o discurso que todo chefe de Estado faz nessas ocasiões. Mas mal falavam seu nome e o público vaiava, mostravam sua imagem no telão e as vaias se repetiam.
Ali ele percebeu que nunca mais enganaria muita gente entre quem, como a plateia do Pan, tem um mínimo de inteligência e informação. Desistiu do discurso. E desde então foge de públicos que não sejam seus jumentos amestrados e de cenários em que fique exposto. Talvez isso mude em breve; não hoy, mañana.

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