domingo, 28 de setembro de 2025

Dia mundial da caradura

Veja só as coincidências, ontem falávamos de como a maioria da imprensa foi piorando nas últimas décadas, e agora descobrimos que hoje é o Dia Mundial do Jornalismo. Descobrimos por acaso, pois só o Ex-tadão, um dos três jornalões integrantes do consórcio de apoio ao regime, dedicou à data um editorial. Este começa assim:

Aí você poderia pensar que eles seguiram o próprio conselho e começaram pedindo humildes desculpas pela chancela concedida às irregularidades praticadas por membros do STF nos últimos anos. Mas que nada, saíram citando os inimigos da imprensa por ordem que, presume-se, seria de importância: "Donald Trump, Jair Bolsonaro..."

É verdade que eles estão com a bola um pouco mais baixa; não falaram, como era norma nessas datas tempos atrás, dos tempos heroicos em que publicaram receitas de bolo e versos de Camões. Mas de humildade o texto parecia ter só um verniz passado em cima da hora.

A Folha também quer resgatar a credibilidade, mas não a dela. Seu editorial se dirige ao novo presidente do STF e me pareceu meio estranho. Não sei vocês, mas ao ler seu início (abaixo) eu fiquei com a impressão que eles estão dizendo que a condenação de Bolsonaro e outras ações recentes do tribunal foram basicamente ilegais: 

Não adianta, nossos jornais parecem uma dona de casa que decidiu ser prostituta e agora, do dia pra noite, quer voltar a ser vista como uma senhora séria. No seu dia mundial a gente só lamenta que eles hoje sejam quase inteiramente eletrônicos, se ainda fossem em papel seriam mais úteis para a sociedade.

Liberdade em perigo

Falando em internet, Madeleine Lacsko foi uma das inventoras do "gabinete do ódio", tão invisível quanto usado para justificar algumas das atrocidades que a Folha agora quer brecar. Mas se ela diz algo que preste a gente respeita. E hoje, falando sobre um autista preso por postar um meme contra o Hamas, Madá escreve, na Gazeta do Povo: 

O Telegraph registrou que mais de trinta pessoas são presas por dia no Reino Unido por postagens consideradas "ofensivas", e cerca de uma entre elas chega a ser processada. Casos recentes reforçam esse padrão: a colunista Allison Pearson foi investigada, a ativista Lucy Connolly passou mais de um ano presa por um tuíte, e o humorista Graham Linehan foi detido por comentários sobre identidade de gênero. Em todos os episódios, o Estado assume o papel de árbitro da ofensa, deslocando o debate público para o território da intimidação.


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