Pensei que os defensores do regime estariam mais animados com os primeiros votos do "julgamento" do "golpe", mas eles parecem bastante preocupados com o fato do "golpismo" (como chamam a oposição) estar dando a condenação como favas contas e pensando no dia seguinte.
Como ontem, Joel Fonseca é o mais divertido. Sua análise sobre os "pontos fortes e fracos" do voto de Moraes conclui que este não conseguiu comprovar que Bolsonaro mandou invadirem prédio ou coisa similar, mas amarrou tudo numa só narrativa enquanto as defesas se limitaram a ressaltar que não havia prova disso ou daquilo.
"Quem tem uma história sempre prevalecerá sobre quem tem apenas fatos e dados soltos" diz Joel como se estivesse falando de um concurso literário e não de um julgamento criminal, onde o que deveria interessar é exatamente o inverso. Além disso, nem na disputa de melhor conto se aceita que um autor também seja juiz.
Para auxiliar seu juiz-autor predileto, Joelito trata como crimes comprovados eventos que incluem o que chama de "campanha de acusações falsas contra as urnas" e um tal "plano de sequestrar ou matar autoridades, que chegou a ser colocado em prática antes de ser cancelado".
Ué, tentaram matar alguém e o sujeito sobreviveu aos tiros!? Pois é, então o plano não foi colocado em prática, ou nem existiu. E que lei proíbe criticar as urnas? Quem garante que as acusações contra elas são falsas se não é possível auditar seu resultado? Pelo jeito, neste caso não vale "ter uma história".
Meninas mortas
A imprensa brasileira decidiu finalmente dar atenção ao caso da moça ucraniana morta a golpes de faca no metrô da Carolina. Quer dizer, eles estão noticiando que o assassinato virou "munição política para Trump" (para usar os termos da Folha) e para os demais críticos da agenda woke.
Vejam como a mesma Folha descreve o que todos já vimos em vídeo: "Naquele momento, segundo a polícia, ele esfaqueou e matou Zarutska, no que pareceu ser um ataque aleatório e sem motivo aparente". "Aparente, parece..."; e é tudo "segundo a polícia", talvez devêssemos ouvir versões alternativas.
A outra menina se chama Alícia Valentina e vivia no interior de Pernambuco. Com 11 anos de idade, ela se recusou a "ficar" com um colega. E o rapazinho não teve dúvidas, juntou mais três meninos e uma menina para dar um corretivo no objeto de sua paixão dentro da própria escola, na quarta-feira passada.
Tão forte foi a surra que a garota passou a apresentar constantes sangramentos pelo nariz e pelo ouvido. Mesmo assim foi atendida e liberada em diferentes unidades de saúde. Só depois de passar a vomitar sangue, no domingo, Alícia recebeu mais atenção. Tarde demais, acabou recebendo o diagnóstico de morte cerebral.
Mas o importante não é resolver esses problemas causados por pessoas que provavelmente votam como a esquerda gosta, é impedir que Trump os utilize lá e combater o terrível golpismo de Bolsonaro aqui.

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