quarta-feira, 3 de setembro de 2025

Anistia encrencada

Quem diria que seria mais fácil anistiar os crimes reais em 79 do que os inventados de hoje? Nenhum ser humano normal pode ter dúvidas de que a atual anistia seria justa e necessária, mas isso já era verdade trinta meses atrás e nem por isso os anormais que causaram todo o problema permitiram que ela fosse implementada.

Agora temos o Trump e suas sanções, é fato. Mas a mistura entre psicopatia, vaidade e possível recompensa bilionária continua viva do outro lado. Quem garante que os representantes eleitos não serão mais chantageados ou suas decisões não serão posteriormente anuladas?

Algumas coisas parecem claras. A primeira é que Bolsonaro não pode ungir qualquer candidato que prometa anistiá-lo assim que assumir a presidência. O sujeito pode não cumprir a promessa ou ver sua decisão cancelada pelos que torturam as leis a ponto de fazê-las dizer o inverso do que se lê em seus textos. 

Se ficar para depois da eleição, a única opção de Bolsonaro é escolher alguém fiel como um familiar ou briguento como Malafaia. Tentar anular a decisão de um presidente neste caso seria um golpe real e deveria ser combatido como tal, mas quem teria coragem de tomar as medidas necessárias? Poucos, nenhum chamado Ratinho ou coisa que o valha. 

Para Bolsonaro pensar em apoiar outro nome a anistia teria que ser aprovada em breve, como Tarcísio parece estar tentando junto aos deputados e senadores. Mas ela também teria que ser validada de alguma maneira pelo STF antes da escolha do candidato, pois em caso contrário voltaríamos ao problema da anulação. 

O tempo para tudo isso é curto. Para a medida ser votada e aprovada já vai no mínimo dos mínimos mais de um mês. Depois o descondenado senta em cima da lei e só a veta no final do prazo (que é de vários meses). Para anular seu veto há outra demora. E aí já estaríamos no meio de 2026, às vésperas da eleição.

Só então o STF seria "provocado" por alguém e passaria a analisar o caso, anulando a decisão dos representantes do povo após a eleição. Isso nos faria voltar à situação da briga feia de três parágrafos atrás - se a oposição vencesse, pois em caso contrário a anulação seria aceita e aplaudida.

A maneira de evitar todos esses problemas é o próprio Jair Bolsonaro concorrer à presidência (e vencer, claro). Se a sua candidatura é mesmo uma exigência de Donald Trump, temos que reconhecer que o cara analisou corretamente a situação e sabe como lidar com o tipo de bandido nela envolvido.

O Centrão teria mais poder com um governador ungido por Bolsonaro do que com ele ou um familiar. Mas talvez seus líderes tenham feito um raciocínio próximo desse e por isso decidiram correr agora. Se for assim eles devem saber que o tempo é curto e ainda será preciso convencer tanto Bozo como o Laranjão.

Vamos ver o que acontecerá nos próximos dias.

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