Quem diria que seria mais fácil anistiar os crimes reais em 79 do que os inventados de hoje? Nenhum ser humano normal pode ter dúvidas de que a atual anistia seria justa e necessária, mas isso já era verdade trinta meses atrás e nem por isso os anormais que causaram todo o problema permitiram que ela fosse implementada.
Agora temos o Trump e suas sanções, é fato. Mas a mistura entre psicopatia, vaidade e possível recompensa bilionária continua viva do outro lado. Quem garante que os representantes eleitos não serão mais chantageados ou suas decisões não serão posteriormente anuladas?
Algumas coisas parecem claras. A primeira é que Bolsonaro não pode ungir qualquer candidato que prometa anistiá-lo assim que assumir a presidência. O sujeito pode não cumprir a promessa ou ver sua decisão cancelada pelos que torturam as leis a ponto de fazê-las dizer o inverso do que se lê em seus textos.
Se ficar para depois da eleição, a única opção de Bolsonaro é escolher alguém fiel como um familiar ou briguento como Malafaia. Tentar anular a decisão de um presidente neste caso seria um golpe real e deveria ser combatido como tal, mas quem teria coragem de tomar as medidas necessárias? Poucos, nenhum chamado Ratinho ou coisa que o valha.
Para Bolsonaro pensar em apoiar outro nome a anistia teria que ser aprovada em breve, como Tarcísio parece estar tentando junto aos deputados e senadores. Mas ela também teria que ser validada de alguma maneira pelo STF antes da escolha do candidato, pois em caso contrário voltaríamos ao problema da anulação.
O tempo para tudo isso é curto. Para a medida ser votada e aprovada já vai no mínimo dos mínimos mais de um mês. Depois o descondenado senta em cima da lei e só a veta no final do prazo (que é de vários meses). Para anular seu veto há outra demora. E aí já estaríamos no meio de 2026, às vésperas da eleição.
Só então o STF seria "provocado" por alguém e passaria a analisar o caso, anulando a decisão dos representantes do povo após a eleição. Isso nos faria voltar à situação da briga feia de três parágrafos atrás - se a oposição vencesse, pois em caso contrário a anulação seria aceita e aplaudida.
A maneira de evitar todos esses problemas é o próprio Jair Bolsonaro concorrer à presidência (e vencer, claro). Se a sua candidatura é mesmo uma exigência de Donald Trump, temos que reconhecer que o cara analisou corretamente a situação e sabe como lidar com o tipo de bandido nela envolvido.
O Centrão teria mais poder com um governador ungido por Bolsonaro do que com ele ou um familiar. Mas talvez seus líderes tenham feito um raciocínio próximo desse e por isso decidiram correr agora. Se for assim eles devem saber que o tempo é curto e ainda será preciso convencer tanto Bozo como o Laranjão.
Vamos ver o que acontecerá nos próximos dias.

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