Como bêbados entorpecidos pelos longos e viciantes anos de arrogância e poder sem limites, nossos supremos seguem se equilibrando entre o amor pelo arbítrio, a tentativa de encontrar uma saída menos vergonhosa e o medo de perder boa parte do que conseguiram amealhar em atividades que não deveriam exercer.
É repetitivo, mas parece que precisa mesmo repetir: condenem injustamente o sujeito de quem já surrupiaram a presidência e entrem com suas esposas e filhos na Magnitsky; terminem com essa palhaçada e sigam suas vidas sem nada mais pagar por suas canalhices.
Desta vez o dono da mercearia os flagrou com a garrafa de bebida escondida sob o casaco e só quer que vocês a recoloquem na prateleira. Querem uma solução melhor que essa? Não existe. Para que tentar fugir correndo e se arriscar a transformar a molecagem em ocorrência policial?
A gente sabe que vocês foram na pilha daquele amiguinho mais atrevido que se tornou líder da turma. Mas esse já está usando coisas mais pesadas e tem ficha na delegacia. Parece legal ser fodão como ele, porém, acreditem, a médio prazo será melhor ter passado por certinho. Vocês são meninos de família, parem com isso.
Esclarecimento à praça
E a Magnitsky, vale ou não vale? São os americanos ou são os bancos brasileiros que decidem o que cortar ou não do infrator atingido? Para resolver essas questões temos Lauro Jardim, que nos traz hoje a explicação de um diretor anônimo do BC:
A lei americana vige lá e a brasileira aqui. Mas a questão é outra, pois o sistema financeiro global é integrado. Então, o que se tem é que espaços jurídicos e democracia são regidos nacionalmente, mas as relações econômicas são globais. Se hoje já estivesse em vigor a versão mais dura da Lei Magnitsky, porque a que está aí para o ministro não é a mais dura, a escolha que caberia a um banco é: o que vale mais, manter um ministro do STF como seu cliente ou poder fazer cotação de dólar e operar câmbio, entre outras operações financeiras?
Porque sem essas operações você mata o banco. Então o banco teria que escolher: subsistir ou manter esse cliente. E essa é uma decisão que afeta todo o sistema financeiro, afeta a estabilidade do sistema financeiro. São três níveis da Lei Magnitsky. O ministro está no mais brando.
Agora sim eu acho que ficou mais claro, existem três botões para o tio Trump mandar apertar. Por enquanto o comerciante só deu um cascudo no moleque que lidera a gang, mas até ele ainda pode evitar coisa pior.
Crianças, corrijam-se enquanto é tempo. Parem de brincar, pulem enquanto não tiram a rede de segurança que os impede de se esborrachar no abismo. Inclusive porque eu desconfio que no fim, vocês querendo ou não, a bebida vai acabar voltando para a prateleira de onde não deveria ter saído.

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