São tantas variáveis desconhecidas que não dá nem para tentar montar uma equação. Mas supondo que as tarifas/sanções serão mantidas ou ampliadas, teremos, nos próximos tempos, duas narrativas disputando a atenção e o apoio de políticos, empresários e população em geral.
De um lado, com todo o apoio da mídia canalha, o desgoverno se vestirá de patriota, continuará a reclamar da "agressão ao Brasil" e a lhe atribuir a responsabilidade por sua própria incompetência ou corrupção. É um discurso fácil, que energiza seus defensores e pode conquistar adeptos, ao menos num primeiro momento.
Um problema dessa opção é que o tempo a desgastará, creio que será difícil alguém acreditar que a inflação de janeiro de 26 foi causada pelo Trump (ou pelo Bolsonaro) em julho de 25, principalmente entre as mentes menos afeitas a conexões complexas que o lulopetismo consegue atingir.
O segundo problema é que ela é pura demagogia e não oferece perspectiva alguma para os empresários que pretendem manter o mercado americano e quem mais quiser evitar as decorrências das sanções (desemprego, inflação etc.). E aqui também o tempo só deve agravar a questão.
A outra narrativa contém uma proposta que resolve o problema e é muito simples. Talvez seja difícil apresentá-la abertamente agora, mas creio que o tempo corre a seu favor. Ela consiste em votar uma anistia geral, inclusive em termos eleitorais, para eliminar o principal entrave à derrubada das sanções.
O desgoverno ainda falaria em moeda alternativa e bobagens similares, mas, pato manco, ninguém lhe daria mais muita atenção. E o STF seria obviamente contrário à solução, mas ainda poderia dizer que respeitou a decisão soberana do Congresso, mantendo a dignidade caso fosse convencido de que não há alternativa.
Mas quem o convenceria disso, já que a opinião da parcela mais consciente da população não o afeta? Em primeiro lugar a economia, a pressão, direta ou através de políticos alinhados, dos setores interessados no assunto. Em segundo lugar, uma possível mudança deles.
Eles estão lá, quietinhos, atrás daquele muro e da calçada com meio-fio bem pintado. Mas foi o Barrosa quem deu, com aquele sorrisinho maroto de lábios contraídos, o caminho das pedras: eles são extremamente suscetíveis às pressões do Pentágono. E se elas servem para um lado, por que não para o outro?
É evidente que qualquer fato que tenha acontecido ou venha a acontecer nesse sentido não será divulgado. Mas quem manda na matriz agora é o Trump e não é difícil mostrar que esse alinhamento do atual regime brasileiro a terroristas e ditaduras assassinas pode causar sérios problemas logo à frente.
Teriam o Laranjão e seus assessores tomado sua decisão em relação ao Brasil e deixado essa ponta solta? Ou, ao contrário, ela é o cordão invisível com que está sendo amarrado todo o pacote? Não dá para ter certeza de nada, mas essa pode ser a principal variável da equação.
Si vis pacem, para bellum
É o lema escrito na sede da 3ª Região Militar, em Porto Alegre.

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