Tem gente por aí dizendo que o descondenado é incoerente porque defendeu a liberdade da Cristina Kirchner na Argentina e não quer que Trump defenda a de Bolsonaro no Brasil. Mas incoerência talvez seja o único defeito que ele não tem, você é que não está vendo a situação com ele a vê.
Cristina é uma companheira, de esquerda como ele, corrupta como ele, que deve ter liberdade para fazer o que bem entender. Bolsonaro é de direita e contrário à corrupção, um inimigo a ser eliminado. "Soberania" e termos semelhantes são apenas ferramentas retóricas que ele usa quando considera necessário e descarta quando não.
Partindo daí, fica fácil entender algumas de suas opções. Por exemplo, se estivesse mesmo interessado em mitigar o sofrimento do povo palestino, ele deveria solicitar que os seus amigos terroristas do Hamas devolvessem os reféns a Israel em troca de um cessar-fogo e do início de negociações.
O que eles ganham mantendo os reféns que, de quebra, ainda servem para lembrar quem começou tudo naquele 7 de outubro? Nada. No entanto, mesmo sabendo que a libertação dos reféns é uma exigência prévia da qual Israel não abre mão, ele nunca a cita ao lamentar os problemas pelos quais os habitante de Gaza estão passando.
Parece incoerente, mas trata-se de um padrão que se repetirá com a questão das tarifas de Trump. O povo brasileiro sofrerá as consequências de sua decisão de não negociar, mas ele se recusará a libertar Bolsonaro e os demais reféns das acusações inventadas pelo braço jurídico de seu regime autoritário.
Terror defendido lá, terror defendido aqui. E em Cuba, na Venezuela, na Nicarágua e onde mais houver alguém de sua turma no comando. Como a democracia ao estilo bolivariano, ele tem coerência até demais.
Ridículo demais
Continuo achando que a missão do senadores a Washington acabará sendo útil de modo transverso, pois deixará claro que não há alternativa de negociação que não envolva a situação de Bolsonaro e da censura. Mas o pessoal não precisa ter exagerado na inutilidade de sua viagem.
Os caras chegaram à capital americana faltando dias para a nova tarifação e quando o Congresso americano está em recesso. Sua única reunião foi com a embaixadora brasileira nos EUA, que nem é recebida pela Casa Branca. E agora eles querem mandar uma carta para Trump e ligar para o George W. Bush.
Mandar carta e telefonar se faz daqui, essa viagem tardia é ridícula, uma vergonha para o Senado e nossa classe política em geral. Mas também não se pode acusá-los de incoerência, os oito viajantes seguem um padrão já conhecido e estabilizado.

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