quarta-feira, 30 de julho de 2025

Hora de negociar

Mobilizada pelo desgoverno, nossa grande mídia esquece a máscara de isenção que estava começando a recolocar e tenta de tudo para vender a farsa de que vivemos em uma democracia sordidamente atacada por estrangeiros auxiliados por maus brasileiros. Mas o que sobra de raiva falta de seriedade.

A detenção da Zambelli tem algo a ver com a recente estadia de Xandão e Barrosa em Roma? É possivel. Mas é ridículo querer utilizá-la para esconder as tarifas ou atacar por tabela Bolsonaro, inclusive porque a decisão da justiça italiana deve demorar. A exploração desse fato só mostra como a turma está perdida. 

Enquanto o nome da deputada se repete, o do presidente desaparece das manchetes. Ninguém pergunta por que ele não faz como os outros mandatários e procura o Trump, ninguém o critica pela omissão. É como se tudo dependesse de subalternos que devem fazer alguma coisa por conta própria.

Se o país não tivesse condições de negociar, ainda vá que ele quisesse adiar a discussão até obtê-las. Mas tudo que se pede é o encerramento das perseguições políticas e o fim da censura, coisas que podem ser feitas de imediato. É a fidelidade ao "projeto Venezuela" que impede a negociação, nada mais.

Venezuela se dará mal

Não sei se é verdade, mas aquele brasileiro que é vereador no Texas apareceu numa entrevista dizendo que Trump está determinado a derrubar o governo Maduro. Os americanos já teriam agentes infiltrados para fomentar a revolta no país e uma intervenção militar externa selaria o destino da ditadura.

Seu argumento é interessante: na época da crise dos mísseis de Cuba bastava conversar com a União Soviética para acertar as coisas na base do "se você me atacar eu te ataco", mas hoje você tem Rússia, China, Irã, Hezbollah, cartéis e uma infinidade de males que nem sempre agem racionalmente e exigem a eliminação do proxy.

Cuba também pode estar nessa lista, talvez até a Nicarágua. E a parte mais importante para nós é que é melhor prevenir do que remediar, melhor cortar as asinhas de outras futuras ditaduras antes que elas possam mostrar as garras de seus mestres. Se possível, de modo amigável.

Dá para negociar?

Com o Xandão não dá, mas talvez ainda dê com Barrosa e Gigi, que têm mais interesses financeiros e pessoais a nível internacional. Tomar uma Magnistik e perder uma faculdade em Portugal ou atrasar a vida dos filhos que pretendiam obter a cidadania americana pode lhes parecer um preço alto demais. 

Se esses dois mudassem de posição o apoio incondicional ao careca se limitaria ao ideológico Dino. Zanin é muito ligado ao Molusco, mas mal começou a ganhar dinheiro grosso com o escritório da esposa e deve querer manter a boquinha. Toffoli vai para onde o vento virar, Carmen Lúcia e Fachin fazem o que os outros mandarem. 

Não é impossível, vale a pena tentar. Se eles aceitarem não será difícil bolar uma saída aparentemente honrosa para todos. Não descobriram que havia uma "falha" no processo do Molusco e o anularam na prática? Muito mais fácil é usar falhas de verdade.

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