Joe Biden lançou sua campanha à reeleição com um daqueles pequenos filmes para internet. No roteiro, problemas que ele julga ter resolvido, pessoas entusiasmadas com a sua presença e os demais temas de praxe. Nos segundos finais, ele aperta as mãos de um líder estrangeiro. Macron? O rei da Inglaterra? Não, o descondenado brasileiro.
Claro que Biden não fez isso. O velhote está senil, mas ainda não ficou pirado para se queimar mostrando amizade com um antissemita que seu parceiro Obama disse ser um dos maiores corruptos da humanidade. A imagem é só para a gente pensar em qual seria a reação da chamada grande imprensa brasileira.
Destaque no Jornal Nacional, que lhe dedicaria um bloco inteiro. Assunto certo do Fantástico. Tema de intermináveis debates na Globo News e na CNN. Notícias de capa, colunista sobre colunista discorrendo sobre a importância daquela escolha. Que recado para o mundo! Que prestígio para o Brasil! Que honra!
Pois é, mas quem fez o filminho foi Donald Trump e o líder estrangeiro que aparece ao seu lado é Jair Bolsonaro. Como ambos são detestados pelos jornalistas que Sérgio Tavares chamou de "encarteirados", seria normal que as reações fossem opostas, com gente dizendo que um canalha estava apoiando outro e coisas do tipo.
Não foram, a reação foi um enorme silêncio. Aquele pessoal que critica tudo o que Trump faz não viu o filme? Viu sim. Nenhum quis comentar por mera coincidência? Não acredito. Ordem superior para não encher a bola de Bolsonaro? É mais provável. Mas, mesmo que a ordem tenha existido, o mutismo pode ter outro motivo.
Medo. Daquele tipo que o covarde que reuniu uma gang para bater no guri de que não gosta sente ao saber que este tem um irmão maior que está voltando para a cidade. Ele sabe o que é esse apoio, pois, apesar de suas bazófias e seus deboches, só se animou a bater porque seu irmão maior o apoiou. Se o irmão do outro bater no dele...
Hoje restam poucas dúvidas de que, da absurda descondenação do ex-presidiário ao teatro do 8/1 (adaptação canhestra do 6/1 americano), o golpe eleitoral que retirou Bolsonaro do poder em 2022 foi realizado sob a batuta do governo democrata e de agências como CIA e Pentágono, cujos desvios Trump promete corrigir.
Além disso, segundo declarações de pessoas que estiveram com ele e seus assessores nos últimos dias, Trump estaria muito bem informado sobre o que está acontecendo por aqui e teria prometido cuidar do Brasil como uma questão pessoal. Nós até falamos sobre isso no sábado, desejando que fosse verdade.
E aí, logo depois da entrevista do Tucker Carlson com Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo (que continua correndo o mundo e deve ser a primeira de uma série) surge o filmezinho em que, do nada, de um modo que aparentemente não lhe garante vantagem alguma, Trump faz questão de se mostrar parceiro de Bolsonaro.
É um sinal importante. Eles podem fazer de conta que não o viram ou escolher continuar se comportando com a mesma prepotência de agora, como se nada mais pudesse mudar. Mas a luzinha já foi acesa lá no fundo e é muito provável que ela cresça nos próximos meses. Surgirão outros sinais.

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