quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

Lembrando a letra

Luciana Genro se recusa a cantar o hino riograndense. A notícia é recente, mas a novela é antiga. Há muito, a deputada e outros integrantes da lacrolândia gaúcha implicaram com a parte em que, com aquele tom grandiloquente que todo hino costuma utilizar, o do seu estado diz:

Mas não basta para ser livre

Ser forte, aguerrido e bravo

Povo que não tem virtude

Acaba por ser escravo

"Bravo" no Sul é sempre de bravura, valentia; o sujeito irritado está "brabo". E Luciana e seus amigos ficaram brabos com a parte da escravidão de quem não tem virtude. Como até quem não sabia já deve ter imaginado, os idiotas decidiram que o trecho é racista, ofende os negros e blábláblá.

Bobagem, a mensagem é outra. Como foi lembrado esses dias, até os romanos foram invadidos - dominados, praticamente escravizados - em certa época pelos gauleses. Mas ao contrário do que aconteceu a tantos povos em casos similares, aquela derrota (e as muitas outras que sofreram) não os derrubou.

Eles tinham virtude, palavrinha para a qual não temos um sinônimo adequado, mas, neste contexto, certamente envolve coisas como a fidelidade a um norte moral, compromisso e tenacidade. E que mais certamente ainda não combina com entrar em desespero por um revés mais do que esperado.

O Senado nos é sempre difícil. Com uma população equivalente a São Paulo e Paraná, o Nordeste, onde está o eleitorado que na média é mais manipulável, tem 27 senadores contra os 6 desses estados. A força do governo é enorme. Ele abriu os cofres e ofereceu até cargos de segundo e terceiro escalão. E o voto é secreto.

Com toda essa pressão, 40% dos senadores votaram contra o candidato oficial. Poderiam ter votado a favor e seus eleitores não saberiam. E também na Câmara há uma bancada mais aguerrida e convicta. Sempre existirão enganadores, é claro. Mas traíras mais estridentes como Joyce, Frota e os mbls foram chutados ou reduzidos ao mínimo.

Ontem à noite compararam o lulopetismo com a teocracia iraniana. Esses dias nós fizemos a comparação inversa, de como a ditadura do Xá foi derrubada por um movimento religioso comandado do exterior. E logo depois lembramos de que lado está a força religiosa que continua a crescer entre nós.

Não vou ficar juntando exemplos, não quero dizer que a luta é fácil e se deve menosprezar o inimigo, longe disso. Só digo que, nesses e outros pontos, tem gente exagerando e querendo jogar a toalha no primeiro round. A luta será, isto sim, longa. Mas não tá morto quem peleia e, como diz outra estrofe do hino que a Lu quer mudar:

Mostremos valor, constância, nesta ímpia e injusta guerra

Logo depois, para rimar, o refrão completa:

Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra

Mas essa parte da letra já é outro excesso do autor, hehe.


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