Pobre Gata Borralheira, parecia moderna porque já era gata quando as belas moças eram chamadas de pitéu ou termo equivalente, mas está com seus dias contados. E não é porque os príncipes estão em falta ou essas histórias de amores heterossexuais ofendem as minorias, o problema é a madrasta.
Querem acabar com ela. Já existe campanha pedindo para que o Google censure a palavra e a Melhoramentos altere sua definição nas próximas edições do Michaelis. Quem a comanda é Mariana Carmadelli, madrasta de dois adolescentes e alegada líder de um grupo de "40 mil madrastas".
Segundo ela, que parece ter bastante tempo livre e não gostar da programação da TV à tarde, a palavra precisa ser ressignificada porque passou a ser associada, no imaginário popular, a uma mulher má.
Por enquanto a turma levou na brincadeira, dizendo que teríamos também que alterar "maravilha", "madeixa" e até nomes próprios (como "Mariana") ou propondo uma substituição por "boadastra". Mas do jeito que a coisa anda, daqui a pouco o Barroso acorda invocado e coloca a palavra no index moderno.
O TSE, que deveria cuidar de eleições, já não quer banir palavras e expressões "racistas"? Daí para proibir madastra é um pulinho. E o pior é que não é só no Brasil. Num dos inúmeros exemplos disso, a Universidade de Stanford, na Califórnia, lançou o seu Guia de Eliminação de Palavras Nocivas.
"Aborto" está proibido por causa da "discriminação moral", o certo é dizer "encerrar a gravidez". "Suicídio" deve virar, por algum motivo "morte por suicídio". "Calouro", "bombeiro" e "deputado" devem ser igualmente evitadas para fugir da "linguagem binária de gênero". Até "americano" deve ser substituído por "cidadão americano".
Tempos atrás, professoras politicamente corretas criaram uma nova versão para a terrível "Atirei um pau no gato". Agora, alguns de seus alunos devem ter ido estudar na Califórnia e estão aprendendo que não podem usar expressões como "matar dois coelhos com uma só cajadada".
Temos atualmente pelo menos uma geração que nasceu e viveu sob esse novo tipo de ditadura. Que é ditadura porque não sugere ou propõe, mas obriga e pune (em alguns lugares já de forma oficial, com processo e ameaça de prisão) quem desobedece suas diretrizes cada vez mais arrogantes.
É espantoso que ainda não tenham acabado com os contos de fada ou obrigado Cinderela a ter um irmão gay que casa com o rei. Mas logo chegarão lá. Quando até um departamento burocrático que deveria cuidar da distribuição das urnas eleitorais se acha no direito de definir as palavras que podem ser usadas pela população, isso não está tão longe.
Aqui permitimos que meia dúzia de canalhas arrebentem com o estado de direito a seu bel-prazer. Mas o Ocidente inteiro está prestes a virar abóbora. É só deixar o relógio dar as doze badaladas.

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