terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Apertem 35% dos cintos

Talvez seja até melhor considerar uma boa margem de erro e apertar 50%, mas o fato é que a pesquisa sumiu. Era uma atrás da outra, principalmente daqueles três ou quatro institutos queridos do consórcio midiático. E todas geravam manchetes em que suas conclusões eram tratadas como fatos consumados.

Depois o discurso mudou e a máscara dos falsos antipetistas caiu de vez, mas foi por influência delas que alguns entre eles se acostumaram a repetir que "não vou votar em Bolsonaro porque não adianta".

O presidente levava milhões de pessoas às ruas. Mas as pesquisas garantiam que o coitado não tinha o apoio de mais que 20% de fanáticos, uma minoria fascista que não o levaria nem para o segundo turno. Não adiantava votar nele, era a mensagem implícita que os idiotas captavam e explicitavam depois.

Os erros do primeiro turno acabaram com a sua credibilidade, mas as pesquisas cumpriram seu papel e causaram um estrago que pode ter sido decisivo. Como todo idiota também é teimoso, quem havia caído na conversa do "porque não adianta" deixou essa parte de lado, mas continuou apegado ao "não vou votar em Bolsonaro".

Era o que os manipuladores queriam. Sua malandragem ficou evidente e até CPI quiseram fazer sobre os tais institutos, que se defenderam com argumentos risíveis - os bolsonaristas mentem de propósito ao pesquisador, foi um deles - antes de começarem a se recolher.

E se recolheram sem nos dar algo que poderia ser realmente útil, pois pela primeira vez em muito tempo não tivemos pesquisas de boca de urna, as mais simples de acertar quando se trata de traçar o perfil do eleitorado de cada candidato.

Em eleições passadas, as pesquisas de boca de urna do primeiro turno permitiam que você estimasse com razoável certeza o que daria no segundo. Bastava saber como se dividiam os eleitores dos candidatos que não passaram de fase e aplicar esses percentuais sobre os números que estes realmente obtiveram.

Quanto ao segundo turno, saber quantos tinham votado em A ou B era o de menos e a boca de urna não tem como concorrer com a velocidade da apuração atual. Mas essas enquetes também nos informavam, com grande precisão, quantos eleitores de um e outro eram evangélicos, tinham curso superior e coisas do gênero.

Por que mudaram o padrão este ano? Será que é porque poderiam ser desmentidos depois?

Imagine, por exemplo, eles dizendo que x% dos eleitores de um candidato pertencem a uma linha religiosa e em breve o censo mostrar que o número destes é maior do que se pensava e aquele x% deveria ter lhe dado muito mais votos. Ficaria chato, seria mais uma incoerência a explicar. E eles não fizeram as pesquisas para isso.


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