Aqui e ali, depois de apoiar como podiam o processo repleto de irregularidades que pode levá-lo ao poder em mais alguns dias, jornalistas, economistas e políticos que se pretendem moderados ensaiam algumas críticas ao ex-presidiário que até ontem defendiam incondicionalmente.
Dizem que os malandros estão fazendo uma espécie de seguro para quando forem cobrados pelo futuro desastre. E não deixa de ser isso, pois eles nunca estiveram entre os ingênuos que acreditaram sinceramente no mestre da malandragem. Mas me parece que já é um pouco mais.
Creio que essas são as primeiras tentativas de usar a tesoura que dizíamos estar sendo afiada dias atrás. As críticas devem aumentar bastante, pois - sempre na hipótese do triplamente condenado assumir a presidência em breve - esse pessoal ainda tentará ser visto como oposição.
Embora sem dancinha e tour de blonde, a ideia é basicamente a mesma do MBL: primeiro eles ajudam o filhote da ditadura cubana a se eleger, depois aquela metade do eleitorado que votou em Bolsonaro esquece que este existiu e vota em quem eles apresentarem como adversário do bolivariano.
O plano dos bonitinhos não vai dar certo. Talvez algo assim funcionasse com a legião de analfabetos desinformados que constitui o cerne do apoio ao sujeito que Obama chamou de chefão mafioso, mas não funcionará com quem está do outro lado.
Pelo contrário, a parcela mais consciente desse eleitorado acompanhou muito bem o que os falsos antipetistas fizeram e não vai esquecer de tudo em poucos meses. Ser apoiado pelo MBL ou pelo Armínio Fraga jogará contra, jamais a favor, de qualquer candidato que eles queiram inventar.
O mesmo deve acontecer com o eleitor movido basicamente pelos "valores", aí incluindo-se a maioria dos evangélicos que só crescerão num futuro próximo. E quando se trata da turma um pouco menos reflexiva, que também existe deste lado, fica pior ainda. O bolsonarista raiz não alterará um milímetro a sua posição.
É óbvio que isso não significa que Bolsonaro concorrerá de novo à presidência. Não sabemos nem se ele estará vivo até a próxima eleição. Mas se não for ele será Mourão, Tarcísio, um líder evangélico ou qualquer outro que possa ser considerado do seu campo, identificado com a mesma linha geral.
Os falsos moderados fizeram uma escolha e ela não será esquecida, não lhe será nada fácil se venderem como oposição ao extremismo esquerdista. Até porque suas críticas se limitam a questões econômicas. Nenhum deles ataca as prisões sem processo e todo o autoritarismo que atribuíam a Bolsonaro, mas só se vê do outro lado. Essa hipocrisia lhes custará a credibilidade que talvez ainda tivessem.

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