Um pouco de chuva, vento, frio fora de época. Dia de Finados, lembrei dos meus, da terra em que para sempre estarão. Acabei entrando no site do Correio do Povo. Lá encontrei o artigo abaixo, no qual Guilherme Baumhardt prevê os maus tempos que teremos novamente que enfrentar.
Turbulência à frente
Preparem-se. Apertem os cintos (se houver). Voltaremos a andar em uma montanha-russa. E será assim. Primeiro, a subida, o êxtase, a adrenalina correndo solta nas veias. Euforia, alegria e a certeza da escolha certa. Quem sabe até a picanha? Mas por pouco tempo. Depois vem a descida, em alta velocidade, ladeira abaixo e sem freios ou equipamentos de segurança. Assim será o Brasil, sob a batuta de Lula e seus compar..., ops, companheiros. Ainda vejo em alguns incautos uma certa esperança de moderação, de que o petismo que assumirá o país será moderado, respeitará as instituições, a propriedade privada. Para quem pensa assim, eu digo: não faltam mais do que dois passos para acreditar no coelhinho da Páscoa. Quem volta é o Lula radical, o PT extremista, que toma para si a máquina pública como se fosse propriedade privada. Isso ficou claro durante a campanha e foi reforçado com uma tentativa de "Carta aos Brasileiros", que de tranquilizadora não tinha nada. Sabem quem foi o primeiro presidente a visitar o petista? Alberto Fernández, que está à frente de uma Argentina quebrada, que não consegue colocar a economia nos eixos porque insiste no receituário errado: excesso de regulação (são mais de 30 tipos diferentes de taxas de câmbio), pouca liberdade, impostos elevados e a tentativa de controlar a inflação com o tabelamento de preços (ideia que era defendida pelo petista Aloizio Mercadante). A primeira vítima da volta do lulismo ao poder será o agronegócio – por três razões. A pressão europeia deve encontrar porteiras abertas para impor novas sanções a produtos brasileiros. Encontrarão terreno fértil para proliferar os "ecochatos", gente cujo único objetivo é inviabilizar – sob argumentos toscos e tacanhos – qualquer tentativa de produção. Para completar o pacote, os bandoleiros do MST voltarão a ter dinheiro para se deslocar pelo país invadindo e depredando propriedade privada. Na Esplanada dos Ministérios devem despontar figuras como Randolfe Rodrigues ou Marina Silva, para comandar o Meio Ambiente. Ou seja, sob o manto de que estão protegendo a natureza, os dois não passam de usinas de restrições. Curiosamente, alguns dos piores índices de desmatamento da região amazônica ocorreram justamente quando Marina era ministra. E ela agora pode voltar. No caso da Fazenda (hoje Economia) entre os nomes cogitados está o de Fernando Haddad. É uma injeção de desânimo para quem tem hoje Paulo Guedes. Haddad era o sujeito que liderava o Ministério da Educação quando teve início o colapso do sistema FIES, graças à inadimplência recorde. Gente que precisava de uma bolsa ganhou um empréstimo. E o petista agora está cotado para comandar a economia do país. É desolador.
Comparando cenários, o Brasil de 2022 está melhor do que aquele encontrado por Lula em 2002, na primeira eleição dele. A casa está arrumada: estatais operando no azul, colocando dinheiro no caixa do governo, inflação a caminho da meta, juros básicos da economia em um patamar inferior ao início do milênio. Tudo pronto para dar início ao populismo barato. A grande questão é: quando tudo isso começará a fazer água? Não espere honestidade intelectual. Os culpados serão todos externos. Será o "imperialismo yankee", uma falsa herança maldita ou o "desmonte da máquina pública" – é impressionante como petista gosta de dizer isso. É o que acontece hoje na Argentina, na Venezuela ou em Cuba. A origem dos problemas vem sempre de fora. Não espere também grandes críticas de parcela da imprensa. Logo após o resultado eleitoral, a Folha de S.Paulo já produziu o primeiro milagre: o que antes era chamado de "orçamento secreto" se transformou em "emendas do relator". E depois dizem que a eleição foi justa e teve paridade de armas.

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