domingo, 19 de junho de 2022

Nada de novo

Para quem se chama Mariliz, tentar cavar uma vaga de intelectual entre a esnobe burguesia esquerdista deve ser mesmo estressante. Acho que é por isso que a Pereira Jorge - "da Silva" seria pior - vive nervosa. Mas ela acredita que a culpa é do presidente. E não fala de outra coisa em seu espaço na Foice.

Um país em depressão

Uma mortadela em depressão. Você já deve ter lido esse texto aqui, talvez mais de vez. Cá estou novamente depois de uma semana pesadíssima, tentando juntar as forças, os caquinhos, algumas palavras para falar sobre essa depressão coletiva de quem não aguenta mais o governo.

Teve aquele texto em que você, ao invés de forças, juntou palavrões. Cê desopilou? Eu sei, já disse que não aguento não aguentar mais. Você já sabe. Perdi um leitor que disse que eu era mais divertida. Verdade, eu era bem mais divertida. Comecei a dormir mais, não era sono. Passei a beber mais, talvez precisasse relaxar um pouco. Só consegui ressacas horríveis e além de triste me senti imprestável.

Verdade, seu texto não tem nada de novo. Mas sua revelação de que gosta de enxugar explica por que você às vezes parece aqueles bebuns que ficam xingando as pessoas na rua sem motivo. Uma atividade física mais intensa melhora qualquer cabeça. Passei a nadar no mar. Sim, ficava moída, bebia menos, dormia melhor. Abandonei a natação quando recebi ameaças e fiquei dois meses sem sair de casa sozinha. Voltei para bebida, apostei em drogas ilícitas porque são uma delícia, porque sou favorável a legalização e para mentalmente provocar o presidente et caterva. Não pode?

Nada de novo, Mariliz. Contra a corrente é realmente cansativo, mas é melhor que se drogar depois de bêbada. E gostei da sua desculpa, talvez possamos aplicá-la a outras situações. Já estou imaginando um ladrão explicando que é favorável à legalização de sua atividade e só a exerce para provocar quem compra seus bens honestamente.

Acho que deveria ser proibido ter um miliciano na presidência, acho que presidente da Câmara que esquenta pedido de impeachment com a bunda deveria ser cassado, que arma não deveria ser vendida como banana, que jornalistas não poderiam ser hostilizados e mortos, que ambientalistas são um tipo de herói que precisa de proteção do Estado. Eu também sou cheia de opiniões e elas nem colocam a vida de alguém em risco.

Bandido não deveria nem concorrer, Mariliz. Bandido de verdade, cadeieiro, não quem o pinguço ofende como tal. Quanto ao impeachment, além de um crime, é necessário ter apoio popular. Milhões nas ruas, não a turminha do boteco.

Do que eu falava mesmo? De drogas. Às vezes, elas funcionam. Mas nem sempre. É só ligar a TV, abrir os jornais, conversar com o porteiro, o taxista, a manicure. Não se fala em outra coisa.

Esqueceu de repente? Taí, a droga funcionou. Quanto ao porteiro, a manicure e todos os que lhe respondem com vagos "é, dona Mariliz, tá feia a coisa", vou lhe contar um segredo. Eles só não lhe contrariam porque você é cliente e já ficou conhecida como fanática chapada (o pessoal nota) com quem não dá para discutir. Quando esse inferno acaba? O inferno sempre pode ficar pior. Essa semana nada teve jeito. Se você saiu da cama, nesta sexta, sem sentir vontade de morrer um pouco é porque já está morto.

Calma, a ressaca passa. Essa mania de que todos se sentem como você, também. Eu não queria sofrer por gente que mal conheço, mas nem a tarja preta dá conta de me transformar num filho da puta insensível, que trata assassinato como página virada da nossa história. Mas passei a semana com um sentimento de tristeza, que virou luto, que vai passar por medo, por desesperança, e que disso tudo sobre apenas raiva.

Esse filho da puta é aquele ex-detento que defende ditadura assassina e bandido que mata sua vítima ao lhe roubar o celular? Acho que não, estamos apenas testemunhando uma parte do processo de criação de mártires numa mente esquerdista.

Talvez eu devesse abrir uma cerveja. Talvez seja melhor dobrar a dose do antidepressivo. Não adianta trocar o antidepressivo, é preciso trocar o presidente. Se você não está deprimido, não entendeu nada. Se está se sentindo um pano de chão velho, pega aqui o meu abraço.

Será que ela abriu a cerva? Frente à oferta do abraço, fui espiar como era a Mariliz sem o fotoshop da Foice. Caí numa live em que ela, com aquele inchaço de quem enxugou várias, mostrava uma "cachaça LGBTXYZ" e prometia experimentá-la. Ainda não está um velho pano de chão, mas está no caminho.


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