Universo paralelo, dobra do tempo, antigravidade, buraco de minhoca. Esqueça tudo isso. Não pense também em mundos exóticos. O mais estranho encontro entre o universo newtoniano e o quântico ocorre num lugar aparentemente comum, na avenida paulista que estica e encolhe em determinadas ocasiões.
Seu nome também é comum, a avenida paulista se chama Avenida Paulista. Mas os illuminati que na época dominavam a administração municipal sabiam o que estavam fazendo quando a fizeram, a exemplo da aventura humana nesta dimensão, começar no Paraíso e terminar na Consolação.
Quem estuda o fenômeno que ali acontece consegue prevê-lo com precisão apenas pela leitura dos jornais. Neste próximo domingo, por exemplo, ela certamente se esticará para receber os participantes da Parada do Orgulho Gay, aquela que o UOL diz ter reunido 3 milhões de pessoas em 2019.
E não é um dentro do outro, como alguns podem pensar - pelo menos não durante a passeata, depois ninguém é de ninguém. São milhões de pessoas com carros alegóricos, espaço para performances teatrais que chocarão os burgueses e tudo o mais. A avenida estará mais esticada que a pele de alguns manifestantes.
No último 7 de setembro, no entanto, ela encolheu. Embora tomada pelos que defendiam a liberdade constitucional de expressão e o voto auditável, ela não conseguiu, segundo garantiram fontes como mesmo UOL, reunir mais que 100 mil deles.
Uma prova de que o estica-encolhe realmente acontece foi obtida pouco antes desse episódio. Como habitualmente fazem, os petistas e assemelhados reuniram dezenas de milhares de apoiadores do ex-detento. Como sempre, estes pareciam poucos porque a avenida havia se esticado.
Repentinamente, choveu. E todos os manifestantes correram para se abrigar no vão livre sob o MASP. Como ali não cabe tanta gente assim, a única explicação possível é que os prédios se alargaram para acompanhar o esticamento da avenida, comprovando definitivamente a sua existência.
Antes era mais fácil acompanhar o estica-encolhe porque não dependíamos só da imprensa séria como o UOL. O instituto de pesquisas do grupo estimava públicos e invariavelmente validava a teoria que, com a teimosia de milicianos fascistas que pensam que a terra é plana, a PM negacionista da época se recusava a aceitar.
Um dia, porém, os meninos do MBL trouxeram uma tecnologia israelense que contava o total de celulares que emitiam certo sinal e era complementada por entrevistas que identificavam o percentual de pessoas com esses aparelhos. Com isso, chegaram a um número de manifestantes que coincidiu com o da PM e desmoralizou o Datafoice.
Chocado com esse evidente complô anticientífico, o instituto parou repentinamente de estimar públicos e dedicou-se a prever percentuais de votação.
O curioso é que os números que ele tem obtido parecem repetir o que acontece na avenida em questão, esticando-se para a esquerda e encolhendo-se para a direita. Resta saber se as urnas sem voto auditável respeitarão as regras newtonianas ou se comportarão como as suas pesquisas.

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