Circulou ontem a notícia de que nossos líderes militares deram um tempinho no torneio de sinuca para comunicar aos golpistas do stf que desta vez não pretendem ajudá-los. Se Flávio vencer e eles tentarem melar a eleição, não contem com os fardados para colocar velhinhas em caminhões ou realizar outros tipos de repressão.
É bom, mas é pouco. Sei que os generais não são os mesmos, mas se a atitude fosse eles deveriam agir como aquele que, consultado sobre a possibilidade de Bolsonaro decretar medidas previstas na Constituição, concluiu que aquilo poderia redundar num golpe e ameaçou dar voz de prisão ao presidente.
Na verdade os valentões já deveriam ter feito isso quando pessoas sem foro privilegiado foram julgadas no stf, cidadãos desarmados foram acusados de tentar um golpe e alguém foi condenado por comandá-los de maneira "telepática", sem contatos reais. Não ficou claro por que a veia legalista dos militares saltou frente a uma simples hipótese, mas permaneceu adormecida num caso concreto.
Isso se aquela primeira história foi bem contada, pois o comandante da Marinha disse outra coisa. Será que ele é um mentiroso que preferiu ser preso quando lhe bastaria falar a verdade para se livrar? Ou será que quem se acovardou e mentiu foram os outros dois, que nada sofreram após declararem, ao estilo Mauro Cid, o que seus interrogadores queriam ouvir?
De qualquer maneira, a falta de respaldo dos militares é ruim para os golpistas, que já não contam com apoio popular, estão perdendo o da imprensa e talvez não tenham hoje maioria dentro do próprio stf. É óbvio que eles ainda podem inventar aquelas interpretações absurdas das leis e usar a PF para impô-las, mas seu golpe se ergueria sobre bases frágeis, que poderiam ruir a qualquer momento e deixá-los muito mal.
E eles têm outras possibilidade de sobreviver e sair bem da história, que é o que lhes interessa. O mandato do aliado Gonet, por exemplo, vai até o final de 2027. Em 2028 termina o do inimigo Trump, que pode ser substituído por um democrata. E sempre há o jogo político, a possibilidade de ceder alguns anéis para manter os dedos; em último caso de sacrificar uma cabeça e manter as demais.
Mas tudo isso é especulação. Na lista de problemas, o pior de todos é eles não precisarem de golpe algum porque o estrupício se manteve no poder. Nossa sinuca ainda é vencer a eleição, vamos torcer para Flávio conseguir ao menos entrar no segundo turno em boa posição. Os outros obstáculos a gente vai enfrentando conforme aparecerem.

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