Em 2025 os brasileiros depositaram 220,6 bilhões nas bets e receberam prêmios que somaram 183,7 bilhões. Com isso, essas empresas ficaram com 36,9 bilhões, que usaram para cobrir suas despesas, investir em publicidade e pagar impostos, que, no seu caso, incluem os tradicionais e mais um específico de 13%.
Como muita gente acerta, um apostador localizado na média vai receber cerca de 83% do que apostou, perdendo um valor que, na imensa maioria dos casos, não deve quebrar ninguém. Para efeito de comparação, as loterias da Caixa pagam 43% do valor apostado e seus prêmios são concentrados em poucos apostadores.
Para a maioria que sabe se controlar, esses atrativos transformam as bets numa diversão não mais onerosa do que tomar umas cervejas com os amigos. Meu filho me dizia ontem que muitos de seus colegas, engenheiros e profissionais de nível equivalente, gostavam de jogar e estavam indignados com o fato do governo tratá-los como débeis mentais que precisam ser protegidos de si mesmos.
Infelizmente isso não redundará em grande perda de votos para o Lara porque a maioria já não ia mesmo votar nele. Mas certamente há jogadores que simpatizavam com o petismo e mudarão de ideia após essa intervenção. Por poucos que sejam, são uns votinhos que podem fazer diferença no final.
Claro que o Descon sabe que a proibição não lhe trará nenhuma popularidade entre os jogadores. Sua aposta é que os familiares daqueles imbecis que conseguiram se viciar nesses jogos apoiarão sua medida e lhe darão seus votos em agradecimento.
Nesse sentido, corre por aí a notícia de que as "famílias brasileiras" perderam 62,5 bilhões com as bets no ano passado. Mas esse número é uma estimativa feita pelo Consefaz, que inclui os 36,9 bilhões supracitados mais fatores como os juros pagos por quem se endividou para jogar e os gastos com bets ilegais.
Aqui você poderia destacar a palavra "estimativa", mas é melhor prestar atenção no "bets ilegais". Se já tinha gente jogando nas ilegais antes, que dirá quando encerrarem as legais. E quem menos se importará com a legalidade é o apostador viciado, que a proibição deveria teoricamente afastar da jogatina.
Assim, pode ser que os familiares dos viciados fiquem felizes num primeiro momento, mas logo perceberão que a proibição não resolveu nada. Ou seja, se isso vai trazer algum benefício eleitoral para o Expre, ele se resumirá ao primeiro turno. Será que ele fez toda essa lambança só para empurrar os problemas mais para a frente?

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