Ninguém é criminoso em si, o sujeito se torna criminoso ao cometer um crime e só deve ser tratado como tal devido a essa situação específica. Do mesmo modo, alguém só pode ser considerado seu cúmplice se participar de suas ilegalidades, não por apenas manter com ele relações sociais ou comerciais.
Parece tão simples que os exemplos são quase infantis. O camarada compra um carro de manhã, vende um terreno à tarde e mata um desafeto à noite; o dono da loja de automóveis e o adquirente da propriedade não têm, por terem realizado as transações diurnas, nada a ver com o crime noturno.
Isso deveria ser ainda mais claro para pessoas como jornalistas, que têm nível superior e trabalham com as palavras. Mas se estiver o pessoal está agindo de má-fé, pois é justamente nessa área que a confusão acontece.
Na ânsia de encontrar algum escândalo contra Flávio Bolsonaro e/ou de livrar a cara dos ministros que não honraram sua toga, nosso jornalismo está tratando qualquer relação entre pessoas que se conhecem como de cumplicidade pelos ilícitos eventualmente cometidos por uma delas.
A parte mais absurda é o "caso Dark Horse", que é descrito assim para sugerir algum ilícito. Flávio ligou para Vorcaro solicitando o investimento prometido para o filme... e o dinheiro foi enviado para os responsáveis através dos canais oficiais. Qual é o problema? Nenhum, a operação é tão legal quanto o investimento no Programa do Huck, também realizado pelo banqueiro.
Mas eles insistiram. Pediram a planilha de gastos da produtora estrangeira, depois se voltaram para o pequeno trecho rodado no Brasil e tentaram (ainda estão tentando) associar quem trabalhou nessa parte a irregularidades que teriam sido cometidas com emendas em outras situações. Agora acusam Flávio de ter viajado num avião que na época pertencia a três sócios, um deles uma empresa da qual Vorcaro tinha 30%.
Seria preciso adivinhar que Vorcaro tinha algo a ver com o avião e 30% de um terço mal chega a 10%! Quando você esmiúça "denúncias" desse naipe não sobra nada consistente. Mas quem as lança sabe que as pessoas não costumam fazer isso e podem acabar pensando que se há tantas suspeitas alguma coisa errada deve ter acontecido.
O mesmo está sendo feito em relação a Nunes Marques e André Mendonça. E pode se repetir com qualquer um, pois o mundo da alta política e das altas finanças é suficientemente pequeno para que todos acabem se entrelaçando em algum momento. Ainda mais quando se trata de alguém como Vorcaro, que usava seus bilhões para estabelecer relações com pessoas de todos os lados.
O resultado de tudo isso, para quem olha superficialmente como a maioria do povo, é que todos parecem criminosos. O que é injusto com quem nada fez de errado e só interessa aos verdadeiros culpados. Mas parece que o objetivo é esse mesmo.

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