quinta-feira, 3 de setembro de 2026

O reino por um cavalo

Não é por nada não, mas não existe, na linha nem-nem (nem Lule, nem Bolsonaro), candidato mais fraco que o do M13L. É verdade que Zema e Caiado são ex-governadores e podem ficar atrás dele, mas eles nunca pretenderam ser uma terceira via e sim conquistar os votos dos bolsonaristas a quem evitam atacar.

Sob as asas ocultas do Docinho e do que resta do tucanato (que gostaria de ser a terceira opção), Charlinho conta com uma cobertura favorável e desproporcional ao seu tamanho na grande mídia. Mas mesmo assim não consegue convencer quase ninguém a abandonar as duas opções principais.

Outros conseguem. Dias atrás, Marçal mal se apresentou como candidato e as pesquisas já lhe davam cerca de 10% do eleitorado. Agora chegou a vez de Cury, cujo discurso é ainda mais adaptado ao eleitor com tendências nem-nem; e a história se repetiu, em uma semana ele já tinha ultrapassado a barreira dos 10%.

Comprovando sua adaptação à isentolândia, a Folha de hoje conta que Cury está sendo visto com entusiasmo pelo PSDB; candidatos a governador pela legenda o citam como o melhor presidenciável e a direção nacional ainda não fez um acordo formal com o Avante, mas liberou seus filiados para apoiá-lo. Charlinho? Já era.

Cavalo de batalha

Se você relacionar os escândalos petistas de corrupção, vai gerar uma lista enorme, que começa no ABC e vem até a atual crise do STF. Tudo comprovado, público, indiscutível. Se você quiser fazer o mesmo com Bolsonaro vai encontrar uma série de acusações de adversários, mas verá que nenhuma foi sustentada por muito tempo. 

Restou para essa turma o "caso Dark Horse". Já falamos nisso esses dias, mas podemos voltar porque eles também voltam. Sem ter do que acusar Flávio, não conseguem falar de outra coisa sem acrescentar, lá pelo meio do texto, que o senador também teve contatos e "pegou dinheiro" com o Vorcaro.

Os caras apostam que o eleitor desatento ao qual se dirigem vai considerar que o crime é ter contato e obter financiamento do Vorcaro, um banqueiro que todos conheciam, não vender proteção de juiz disfarçada de assessoria jurídica de familiar. Até o Alcolumbre entrou nessa, mas é a mídia parcial que não tira o cavalo da boca.

Não tem problema, a gente também repete: a parte oficialmente documentada mostra que o dinheiro foi daqui para o fundo Havengate, que o repassou à produtora do filme; e como esta o gastou é uma questão interna que ela provavelmente não está interessada em divulgar. 

Os militantes de redação queriam ter essa lista de despesas em mãos para questionar cada item e levar a história mais longe. Mas eles terão que enfrentar o restante da batalha sem o auxílio desse cavalo.

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