quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Os manipuladores

Mostrar a urna por dentro para alegadamente provar que seu software não pode ser fraudado foi um marco. Mentir que o voto impresso é perigoso porque as pessoas o levariam para casa, como fez a Madrinha da Censura, foi outro. Mas ambas são tentativas de manipulação tão primárias que beiram o ridículo, coisa de amadores.

Os profissionais do setor estão na imprensa e não agridem a verdade de frente, limitando-se, mesmo em artigos longos, a omitir o que realmente interessa. Num exemplo disso, a BBC local republicou ontem uma reportagem cujo título é "Que países usam voto eletrônico além do Brasil?".

Cerca de 20 países usam ou usaram voto eletrônico, mas nenhum com a abrangência do Brasil (e do Butão, acrescentemos); existiam fraudes no antigo voto manual; a nossa urna é totalmente produzida aqui; é incorreto afirmar que a urna eletrônica não é eficaz por não ser amplamente utilizada em outros países...

E assim vai a matéria, respondendo a questões que ninguém colocou. O único problema das urnas eletrônicas é que nós e o Butão as utilizamos sem a emissão de um comprovante impresso que permitiria detectar qualquer manipulação do software. Mas sobre isso a BBC não diz absolutamente nada.

Não é um caso isolado, é um padrão que volta a se manifestar no escândalo do Fauci. Depois de um silêncio sepulcral, os jornalões se viram obrigados a mencionar esporadicamente o assunto. Mas ainda o fazem com títulos como "Quem é o médico alvo de Trump por origem da covid e por que ele se calou em depoimento". 

Por aí já se deduz que o problema se limita a requentar as denúncias de que o vírus foi criado em laboratório e será apresentado como uma perseguição do poderoso Trump a algum pobre médico que preferiu permanecer calado. E é isso mesmo que você encontra no texto, ou em outros como ele.

Uma segunda rodada desse tipo de manipulação tem aparecido agora, após o Nikolas Ferreira fazer um vídeo sobre a atual investigação do Senado dos EUA. Nesses casos, a tática é atribuir as informações obtidas pelos americanos ao mensageiro, cujo vídeo estaria apenas repetindo o que os "negacionistas" afirmavam na época da pandemia. 

E tem também aquela da falsa ingenuidade, cujo exemplo mais recente envolve o vice Alfredo Gaspar. Segundo as notinhas que saem nos cantos, trata-se de um assunto sobre o qual ainda não há maiores esclarecimentos, pois ele foi acusado de estupro e retrucou que tudo era mentira.

Todos já sabem que a acusação foi inventada por dois desqualificados e quem correu a provar sua inocência foi o acusado, que reuniu de exames de DNA a depoimentos das supostas vítimas. Mas apresentar o caso como duvidoso permite escrever "estupro" e "vice de Flávio" no mesmo título, que é o que os manipuladores querem.


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