segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Fórmula envelhecida

Envelheceu muito mal o debate televiso para presidente. Daquele aguardado com grande expectativa em 1989 ao de ontem, a única semelhança era a presença do Caiado, então dirigente da UDR, detestado pela esquerda por sua oposição à reforma agrária que muitos diziam ser indispensável para o desenvolvimento do país.

Pois foi-se o tema daquela reforma como o dos cursos de datilografia. E foi-se também a importância do "embate de ideias", da "discussão de propostas" e das tantas outras consequências positivas que os defensores dos debates garantiam que eles proporcionariam.

Na verdade, talvez nunca tenha sido assim. Nenhuma "proposta" pode ser discutida em poucos minutos com profundidade suficiente e ninguém espera que políticos cumpram tudo o que prometeram. Orientados por marqueteiros, os candidatos se preocupam apenas em aparecer ao telespectador sob um ângulo favorável.

Do outro lado da tela, como reiteram as pesquisas, o eleitor normalmente não assiste ao debate para definir seu voto, mas para torcer para o seu candidato favorito como para seu time de futebol. E em geral encontra o que procurava, convencendo-se que ele se saiu melhor do que os adversários.

As exceções se devem a questões nada programáticas e são tão poucas que precisamos buscá-las entre os inventores da fórmula. No primeiro de todos os debates, o confiante e apresentável Kennedy venceu o nervoso e mal ajambrado Nixon. Num dos últimos, Biden sucumbiu aos problemas psicológicos que seu entorno até então insistia em negar.

No Brasil, um debate entre Flávio e Lule já cairia na vala comum. Calcule então entre três candidatos sem a mínima chance de chegar à vitória. Bem fez o Kassab, candidato a vice que aproveitou para tirar um cochilo enquanto seu titular tentava atrair a atenção de um público que devia ser mínimo. 

Castigados mesmo foram os integrante da grande imprensa obrigados a assistir um espetáculo como o de ontem e fingir que o levaram minimamente a sério. Mas eles merecem sofrer um pouquinho. 

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