Houve um tempo em que sentávamos no sofá para ver as notícias do dia e logo depois a novela. Em geral os homens prestavam mais atenção à primeira atração e as mulheres não queriam perder uma cena da segunda, mas todos sabiam o que estava acontecendo no mundo real e no ficcional.
Você podia viajar ou morar sozinho, mas bastava voltar para a casa dos pais ou entrar no ritmo de casado para retomar o hábito que parecia natural. Para a maioria de nós, foi assim quando éramos as crianças da sala e continuou sendo quando as nossas aguardavam que chegássemos do trabalho.
Um dia, acabou. Ainda existe jornal e novela, mas o antigo encanto foi-se embora. Surgiu a internet, o noticiário virou propaganda desonesta, as novelas foram perdendo público conforme trocavam os roteiros elaborados pela tentativa de doutrinar o espectador com maus atores e lacrações idiotas.
Restavam só os protagonistas daquela era, os apresentadores, atores e atrizes que a encarnaram e cumpriam uma missão similar a de nossos avós: enquanto eles estão vivos a gente mantém uma certa sensação de continuidade desde a infância, quando eles partem isso se modifica ao natural.
Ontem se foram duas vovós televisivas. Não tenho ideia de quantas ainda existem, mas o número deve ser muito pequeno e elas não deixam sucessoras nas novas gerações. Foi-se aquele tempo para nunca mais voltar.
Worst seller
Carlos Baptista Junior, o ex-chefe da FAB que fez o jogo do "discurso de golpe" desmentido por seus pares, está lançando o e-book "Eu disse não! - uma trincheira antigolpista". Não vai dar dinheiro, mas requentar a novela sem pé nem cabeça talvez sirva para ele pagar alguma dívida ainda em aberto.
Vamos ver se a ação é isolada ou a mídia desonesta será convocada para falar do livro e lembrar, às vésperas da eleição, que os perigosos golpistas podem voltar. Eu aposto que sim e tudo já está coordenado, mas o público que eles querem influenciar vai simplesmente mudar de canal.

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