terça-feira, 18 de agosto de 2026

Auxiliar agora

Ele é jovem (ainda não chegou aos 40), empresário de sucesso (com patrimônio bilionário), excelente comunicador (tanto pessoalmente como em termos de redes sociais) e possui um enorme potencial político (quase passou ao segundo turno ao se lançar, do nada, candidato a prefeito de São Paulo).

Pablo Marçal é tudo aquilo que o quarentão Renan Santos gostaria que pensassem que ele é. O que neste é fantasia de adolescente bobo no outro é real, possui aquela consistência de quem, para usar o exemplo do próprio Marçal, sabe o que é ter que acordar de madrugada para cuidar do filho que está passando mal.

Nesta eleição, no entanto, eles têm duas coisas em comum: nenhum tem chance de vencer e ambos atuam como linhas auxiliares dos principais candidatos. Charlinho tenta negar que não passa de um títere do sistema tucanopetista que se finge de isento, Marçal admite abertamente que trabalha pela vitória de Flávio Bolsonaro.

Nem sempre foi assim. Logo que se lançou candidato a prefeito, Marçal adotou um discurso parecido com o oficial do MBL, dizendo-se uma terceira opção que não compactuava com nenhuma das duas principais. Mas pouco depois ele percebeu os limites desse posicionamento e o alterou.

A questão é que, como ele declarou na entrevista mostrada aqui ontem, existem cerca de 50 milhões de petistas e 50 milhões de bolsonaristas. Não há espaço para uma terceira opção neste ano. E chamar 100 milhões de eleitores de burros só serve para afastá-los de você nas eleições futuras.

Os 50 milhões do petismo estão quase todos perdidos, seu perfil não se encaixa com o deles. Ao se aliar voluntariamente a Flávio, Marçal conquista a simpatia dos outros 50 e abre espaço para ser considerado como opção de voto no futuro, como dissidência interna (que sempre vai aparecer) numa próxima eleição. 

Se o MBL fosse algo sério faria o mesmo movimento. Mas o objetivo da turminha é só se arrumar na vida, garantindo uma verba partidária e a entrada de adeptos que compensem os que crescem e vão embora. Para isso, a mentalidade de seita serve.


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