domingo, 30 de agosto de 2026

A volta do "golpe"

Primeiro eles torceram para o candidato bolsonarista não ser bolsonarista. Depois tentaram convencer o público de que Zema e Caiado teriam mais força contra o Descondenado. A seguir passaram a promover quem lhes parecia capaz de ao menos arrancar votos de Flávio se dizendo de direita, como Renan.

Nenhuma dessas alternativas deu certo. Zema não empolgou ninguém. Caiado, apesar dos  apoios políticos anunciados, tampouco. Renan se tornou mais conhecido graças à propaganda grátis da imprensa que nunca engoliu tantos sapos de costumes como para vendê-lo, mas isso só serviu para aumentar sua rejeição.

Em outra linha, o pessoal tentou encontrar um escândalo equivalente aos que o PT costuma protagonizar. Acionaram o velho Intercept e conseguiram um diálogo entre o então enrolado Vorcaro e o senador que buscava investidor para o filme sobre o pai. Pronto, era só misturar as coisas para insinuar que havia algo errado com o patrocínio.

Mas os fatos se impõem e logo ficou claro que o investimento no filme era uma operação privada e tão legal quanto a compra do programa do Luciano Huck ou de algum dos imóveis do banqueiro. Sobrou pedir que Flávio abra as contas de uma empresa americana da qual não é sócio, o que é ridículo por si só.

A última alternativa, que vem sendo usada de uns dias para cá, consiste em requentar a narrativa do "golpe" para que as pessoas se lembrem do "ataque à democracia" e não votem em quem o apoiou.

A Folha tem sido relativamente discreta, falou de coisas como o livro lançado pelo delator da Aeronáutica e hoje nos conta o que os "generais do golpe" têm feito na prisão. A mensagem de "olhe, houve um golpe" fica como pano de fundo.

É a turma da Globo quem se esforça mais nesse sentido, principalmente através dos colunistas que toda hora recordam a necessidade de "defender a democracia". Hoje, por exemplo, a Leitão escreve "Democracia em questão" e o Merdal diz que Bolsonaro sempre teve a intenção de se tornar ditador.

Eles fazem o que podem. O problema é convencer alguém.


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