Meio desanimado, Merval ainda tenta convencer o eleitor de direita, ou antipetista, a não votar em Flávio Bolsonaro. Desta vez, seu principal argumento é que as pesquisas indicam que ele teria, no segundo turno, a mesma votação que pessoas administrativamente mais experientes como os ex-governadores Zema e Caiado.
Não é exatamente verdade porque Flávio sempre está uns pontos à frente dos dois nas simulações de segundo turno dos institutos. E não é importante porque um eventual eleitor preocupado com eficiência administrativa jamais votaria no ladrão que está destruindo a economia do país.
Sem se preocupar com esses detalhes o acadêmico passa a lembrar de 1989, quando as posições estavam invertidas e o esquerdista mais capacitado a vencer o favorito Collor era o experiente Brizola, que lamentou pelo resto da vida ter perdido a segunda posição para o sindicalista semianalfabeto.
Acontece que o futuro que a Deus pertence inclui o do pretérito, a ideia de que Brizola derrotaria Collor é mera especulação. E a situação é bem diferente porque o "percas" chegou ao segundo turno com 16,08% dos votos, um tantinho a mais que os 15,45% do "perdas internacionais". Agora Flávio tem, no primeiro turno, uma pontuação cerca de dez vezes superior à de Zema ou Caiado.
Merval espera que algo ainda abale o opositor favorito e catapulte um dos outros, embora não leve muita fé que isso ocorra nos debates televisivos. Ele até acredita que, sem a presença do Molusco covarde, os outros baterão em Flávio para tentar tomar o seu lugar. Mas eles não podem exagerar porque isso pegaria mal com o eleitorado que todos buscam e de que todos dependem.
Ah, esse eleitor ferrenhamente antipetista e antilulista, bons tempos aqueles - Merval parece suspirar - em que ele se abrigava na "sigla tucana" e não havia aderido ao bolsonarismo, "mesmo o PL sendo um partido dominado pelo extremismo de direita".
No fim o global admite que Zema e Caiado devem apoiar Flávio no segundo turno. E nem os partidos de "centro-direita que compõem o Centrão", que antes se uniam ao PT contra os tucanos, apoiarão o ladrão. Mas então eles esnobavam os tucanos e respeitam o "fraco" Flávio? Por que será, né?
Vou arriscar uma resposta, Merval: é porque o eleitor mais à direita, consciente da imensa sacanagem feita contra o Brasil, a Constituição e Bolsonaro, decidiu que deve votar em seu filho para dar uma resposta aos pilantras verdadeiramente antidemocráticos como você. É o Jair que está por trás de tudo. E nada vai mudar isso.

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