Falha de software, foi a desculpa dada pela governadora democrata de New Jersey ao confirmar que o "Detran" local registrou cerca de 6.600 estrangeiros que declararam não ter cidadania americana como eleitores (lá é tudo junto). E pelo menos 400 deles aproveitaram o presente e chegaram a votar.
Muito a contragosto, a imprensa americana foi obrigada a reconhecer que isso alimentava o discurso de Trump sobre a necessidade de eliminar as fraudes eleitorais, identificando com precisão quem está ou não apto a votar. Mas os jornalistas ainda tentaram dizer que isso não é importante porque esses "erros" são raros.
Como eles podem saber? Quantas maneiras mais haverá de fraudar o sistema através de cadastramento incorreto, voto pelo correio ou o que seja? E a famosa pergunta que não quer calar: Por que a esquerda americana tanto resiste ao projeto trumpista do Save Act, que exigiria confirmação de cidadania e apresentação de documento de identidade para votar?
Preocupada em atacar Trump e defender as santas urnas infalíveis de qualquer mínima crítica, a militância de redação brasileira evitou mencionar o caso de New Jersey. Mas ele lembra outro tipo de fraude que podemos ter por aqui, que é uma pessoa votar em lugar da outra.
Nós temos o cadastramento biométrico dos eleitores, que teoricamente evita essa possibilidade. Porém, mesmo que este funcione à perfeição, nesta eleição ainda teremos cerca de 15% de eleitores não cadastrados. E o problema é nacional, mas um pouco mais concentrado em algumas regiões.
Para dar um exemplo, em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife, 46% dos eleitores (mais de 200 mil pessoas) ainda não estavam cadastrados em março deste ano. Em Pesqueira, no Agreste, o número absoluto era menor, mas o percentual ultrapassava 55%. Percentuais tão altos são exceção, mas em todo lugar falta registrar alguém.
Quem garante que um fanático ou militante contratado não se aproveite dessas situações para votar no lugar de um vizinho cuja foto antiga pode se confundir com a dele? Isso pode ser esporádico, mas em eleições resolvidas por diferenças mínimas, como a nossa última e as recentes em países vizinhos, tudo pode ser decisivo.
De qualquer modo, talvez seja a esse tipo de coisa que o Zema estivesse se referindo quando disse que nossa eleição pode ser fraudada, mas não a ponto de alterar o resultado. Engraçado que a militância de redação, tão indignada com uma rápida menção de Flávio sobre a relação entre nossas urnas e a empresa venezuelana, não o atacou por isso.

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