quarta-feira, 3 de junho de 2026

Tubarão

Dois tubarões se agitam na água rasinha, quase na areia, enquanto um surfista pega onda lá atrás e outro o observa na praia, prestes a entrar no mar. No outro vídeo, próximo dali, um homem que se banha com água na altura do peito e não obedece à ordem para sair - "estava no raso" -, precisa ser retirado à força pelos salva-vidas.

Foi no estado em que nasceu o sujeito que mais danos causou ao país, mas esse é o nível de boa parte do eleitorado nacional. Quem não se preocupa em deixar uma perna na boca do tubarão certamente não liga para dívida explosiva, roubalheira de idosos, segurança pública ou qualquer outro problema que pessoas normais tentariam evitar.  

O cara vota em quem os outros mandam votar; ou em quem lhe dá na cabeça no momento; em quem mais lhe promete mesmo que não tenha cumprido as promessas anteriores; em quem, para citar dois exemplos que frequentam o blog, mais desagrada às pessoas com quem ele discutiu e perdeu... 

Não se trata de negar que o voto tem um aspecto subjetivo, emocional. O problema é que, ao contrário do que acontece em outros países, não é preciso um mínimo de coerência para conquistar amplas fatias do nosso eleitorado. O candidato pode inventar as histórias mais ofensivas à razão e mesmo assim se dar bem.

Foi confiando nisso que o petismo reagiu ao anúncio das possíveis tarifas americanas, enchendo as redes e os jornais de mentiras e incoerências. Pode ser que as tarifas venham e a narrativa deles cole, nunca se sabe, mas não deixa de ser absurdo considerar que existe essa possibilidade.

Começa pelo que dizem os americanos: nada foi decidido nos últimos dias, houve um longo estudo e os motivos para solicitar as punições envolvem a promoção da censura e da corrupção pelo regime pt-stf. Dizer que o Flávio foi lá e pediu para criar taxas é uma mentira grosseira de quem se sabe culpado e quer tirar o corpo fora.

Mesmo sem essa informação, um eleitor mediano deveria se perguntar se vale a pena manter um presidente que se mostra menos importante internacionalmente do que o senador que o desafia. Se o outro foi lá e conseguiu alguma coisa, porque ele também não vai e resolve tudo? Cadê o fortão respeitado pelo mundo, cadê a química?

Ele já deveria ter acompanhado o processo americano e agido preventivamente, mas não fez nada e ainda desperdiçou uma reunião pessoal para defender bandidos. Além de mentirosa e criminosa, incentivando o assassinato do adversário, a gritaria do sujeito revela toda a sua impotência, sua incapacidade para o cargo que não quer largar.

Voltando ao efeito eleitoral, quem não se importa com o tubarão no mar não estabelecerá esse raciocínio. Mas os tubarões com interesses internacionais que têm bancado o regime conhecem o poder de fogo do outro lado e já entenderam o que pode lhes custar a continuidade dessa aventura.

Ao confiar na mentalidade de girino dos seus eleitores como tem feito há décadas, o ser abjeto pensa estar nadando em águas conhecidas, com tudo sob controle.  Mas de repente vem o tubarão grandão que se move silenciosamente nas profundezas e... nhac!


Um palpite: Flávio conseguirá suspender as sanções.


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