Quatro vezes prefeito e atualmente vereador de Ourilândia do Norte, Romildo Veloso casou-se aos 51 com Icicléia, então com 23. Dezoito anos depois, ainda muito bonita, a moça simples de traços levemente indígenas se transformou numa ex-primeira-dama confiante que administrava parte dos negócios da família. E decidiu se divorciar.
Conversa vai, conversa vem, os dois marcaram uma reunião no escritório do advogado contratado para cuidar da papelada. Romildo pediu para ficar a sós com Icicléia e acompanhou o advogado até a porta enquanto ela permaneceu sentada. Ele voltou, deu-lhe um tiro pelas costas e se suicidou a seguir.
"Ex-prefeito bolsonarista mata a ex com um tiro na nuca e comete suicídio", foi a manchete do DCM. "Machismo, absurdo, covardia", foi a gritaria nas redes ao lado de jargões repetitivos como o "estão nos matando" de algumas mulheres e o "nunca houve tantos feminicídios como agora".
É verdade, nunca houve mesmo, no Brasil e no restante da América Latina. Mas não por culpa do machismo dos cucarachas, e sim porque, com exceção de Croácia, Chipre e Malta, foi só por aqui, onde 18 países a colocaram em lei, que os engenheiros sociais da ONU conseguiram implantar essa nova divisão.
Isso é uma frustração para essa grande ONG que só não cuida do objetivo para a qual foi criada. Ao contrário, ao invés de promover a paz entre as nações, seus burocratas se dedicam a instigar o conflito entre os diferentes setores da sociedade, numa guerra cuja batalha final deve se dar entre homens e mulheres.
A invenção do feminicídio permite que a imprensa conivente transmita a falsa sensação de que matam mais mulheres do que homens. Duplamente falsa em nosso caso, pois enquanto menos de 10% das vítimas brasileiras de homicídio pertencem ao sexo feminino, na Europa esse índice pode ser o triplo ou até mais.
Mesmo que você considere apenas os crimes passionais, talvez matem mais homens do que mulheres. Não dá para ter certeza disso porque, de modo similar ao da atuação da imprensa, o CNJ registra todo feminicídio com riqueza de detalhes, mas não faz o mesmo quando uma mulher mata um homem com quem se relacionava.
Assassinatos cometidos por mulheres costumam ser mais sutis, sem a mesma força física elas apelam para venenos ou contratam matadores. Mas mesmo quando a moça ciumenta atropela o namorado, como aconteceu recentemente em São Paulo, o CNJ e a imprensa escondem o caso. Se isso não é uso político dos dados, o que será?
Além disso, o Brasil tem muitos suicídios, a grande maioria deles é de homens e é relativamente comum que o motivo tenha sido uma frustração amorosa. Para cada Romildo que antes matou a mulher deve ter um que, para não deixar os filhos sem ninguém ou algum outro motivo, foi direto para a parte em que tira a própria vida.
O número de mortes passionais deve ter realmente crescido nos últimos tempos, mas isso vale para os dois lados. E o mais lamentável é saber que boa parte delas é causada por conflitos e comportamentos que são esperados e conscientemente estimulados.

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