Elogiar o outro é comum em interações públicas, principalmente quando se trata de uma relação entre representantes de dois países. E quem pensa que esses elogios são sempre sinceros pode parar por aqui, concluindo que o encontro de Trump com o "dinâmico" descondenado foi um retumbante sucesso.
O editorialista de O Globo foi nessa linha, apegando-se ao respeito às boas maneiras para garantir que a reunião foi boa, embora sem fatos concretos. Mas isso foi o máximo que o Consórcio se atreveu a dizer. E o mais estranho é que o assunto, que deveria ser importante, mal é mencionado, não ocupa suas manchetes.
Foi tudo estranho, a começar pela súbita alteração do ser asqueroso. Ele vinha ofendendo Trump na esperança de que este reagisse e lhe desse oportunidade para se apresentar como campeão da "soberania". De repente girou a chave e anunciou a viagem aos EUA, numa óbvia tentativa de reeditar o discurso da "química".
Chegando lá sem honras de chefe de Estado, atrasou-se para a reunião por cerca de um hora (um quarto do tempo que Trump tinha para atendê-lo e almoçar), exigiu que tudo o que eles falaram ficasse em segredo, negou-se a falar com a imprensa ao lado do americano e só deu entrevista mais tarde, na embaixada brasileira.
Por que ele perdeu a chance de mostrar ao mundo, como todos fazem, alguns minutos de sua boa relação com o poderoso presidente americano? Por que se recusou a dar depois uma entrevista ao seu lado? Por que, já protegidos na embaixada, ele e os demais se mostravam visivelmente tão preocupados?
Nem o que ele foi exatamente fazer lá ficou muito claro. Para entregar papéis com propostas genéricas que serão acompanhadas nos próximos meses por assessores (como foi dito), ele não precisava viajar. Tudo indica que houve algo mais e que as coisas não saíram bem como o "dinâmico" esperava.
Façam suas apostas
Uma possibilidade que justificaria todo o segredo seria o Lara ter viajado para se oferecer como uma nova Delcy, uma pessoa ligada ao antigo regime que terá autorização para mantê-lo desde que o abra aos poucos, de acordo com as ordens dos EUA. Para o Brasil seria péssimo, mas para Trump pode ser interessante.
Eu continuo com a ideia, que parece bem disseminada, de que seu maior interesse é evitar a classificação das facções como terroristas para não perder o apoio de quase 90% dos seus integrantes. Se temos cerca de oito milhões (cálculo meu) de bandidos e familiares próximos, ele depende desse público para ter chances na eleição.
Talvez seja outra coisa, quem sabe? Acho que se algo vazar pelo lado de lá acabará chegando aos ouvidos do Paulo Figueiredo. Hoje já tem gente "alertando" para só acreditar na imprensa séria e desconsiderar o que dizem os "foragidos". Esquecem rápido, esqueceram de quem mentiu ou falou a verdade no recente caso do Ramagem.

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