sábado, 23 de maio de 2026

Zambellillivre

Depois não querem que a gente fale mal desses cursos de Relações Internacionais. O UOL entrevistou uma professora da área, por sinal muito bonita, para quem o governo italiano ainda pode extraditar a Carla Zambelli. Não pode, poderia impedir a extradição se a última instância judicial a tivesse determinado, mas o inverso não é verdadeiro.

Mas o bom mesmo é ver as caras. Da mestra paranaense por motivos estéticos e dos militantes vagabundos para perceber o incômodo. A Zambelli era acusada de um crime real, não apenas de ter escrito ou declarado o que a ditadura não gostou. Até dava para aceitar com o Figueiredo, o Eustáquio e outros, mas como engolir com ela?

Na coluna ao lado, quem tentava se conter era o "jurista" Walter Maierovitch, outro cúmplice do regime que posa de imparcial em assuntos secundários, mas fecha com o arbítrio no que é fundamental. "Foi crime comum, tinha que extraditar", lamenta o malandro enquanto sugere que a terrível direita infiltrou-se no Judiciário italiano. 

Eu não sei exatamente o que passou pela cabeça dos juízes italianos, mas não é difícil imaginar. Ditaduras vivem inventando motivos para acusar adversários políticos de crimes comuns e o Brasil virou uma ditadura judiciária. Tudo o que vier do STF e do careca deve ser tratado com suspeição, in dubio pro reo.

Nos EUA, na Espanha, na Itália, em todo o mundo civilizado, todos já sabem que opositor julgado pelo nosso STF tem a mesma chance de absolvição que informante da polícia em julgamento do CV.  O réu do júri romano não foi a Zambelli, foi o regime pt-stf. E mais uma vez ele foi condenado. A pena é a desmoralização.

Já que estávamos por lá

Acabei dando uma olhadinha no que tem escrito e colocado em pequenos vídeos a Milly Lacombe, esta criatura fascinante a seu modo. Ela se solta mais no Instagram, onde confessa que os grandes crimes de Neymar são ter apoiado Bolsonaro e traído a esposa. E a partir daí ela vai concatenando suas ideias tortas. 

Se ele estivesse num casamento aberto, tudo bem, mas Neymar é um desses machos tóxicos que pode matar a esposa se for traído por ela. Eles tinham até direito legal de fazer isso no passado. Esses caras são como esses religiosos que fazem propaganda do estilo tradwife, que se você não sabe o que é a Milly explica.

Tradwife é uma esposa estilo anos 50, que fica em casa cuidando do marido e dos filhos enquanto o marido trabalha fora. Parece uma coisa ingênua, mas é um truque do patriarcado para manter a mulher na mesma posição dependente de um escravo. Algo, portanto, análogo à escravidão. 

Não passa pela cabeça da imbecil que o casal Neymar tenha acertado que o casamento pode ser aberto só de um lado, ou que um monte de mulheres trabalha por necessidade e adoraria só ter que cuidar dos filhos e da casa. E como não a agradam, Milly acha que essas coisas devem ser combatidas, proibidas até.

Depois ela volta ao futebol, mas para falar de um jogo feminino de segunda linha em que um maqueiro chamou uma atleta de "biscate". Um maqueiro, deve ser uma pessoa humilde. Pois a doida foi atrás do nome do cara e o publicou para que, segundo ela, toda a sociedade possa rejeitá-lo. É a Xandona da crítica esportiva.



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