Não acompanho a agenda do Trump, mas acho que deve ser meio raro ele receber um candidato a presidente ou primeiro-ministro de outro país. Conversar com outros governantes faz parte das obrigações, conversar com pretendentes ao cargo é praticamente uma declaração de apoio.
No caso de Flávio Bolsonaro, até o momento parece ter sido escolhido para favorecê-lo. Como Trump acabou de ter uma reunião com o pinguço, este não poderá dizer que quem fala com ele está querendo entregar o país para "uzamericanu" (o Lara é único esquerdista a quem eles dão o direito de não dizer "estadunidense").
Como a maioria, acredito que o principal assunto abordado envolverá as nossas organizações narcoterroristas. O amigo da Deolane foi fortemente cobrado a apresentar um plano contra o crime na sua vergonhosa visita a Washington, voltou pra casa e lançou um faz de conta ridículo. Deu para ver que dali não sai nada.
É muito provável que Trump já esteja decidido a declarar os "meninos da cervejinha" como terroristas e faça isso depois da visita de Flávio, permitindo que este insinue que tudo aconteceu a seu pedido, ou com sua anuência, e deixando o adversário na difícil posição de ter que defender abertamente a bandidagem.
Farejando algo assim, ontem mesmo ele já esqueceu o discurso da química e voltou ao da "soberania" contra o gringo malvadão. Enfiada numa lorota sobre a necessidade de equipar nossas Forças Armadas, a nova versão da história é que Trump poderia usar a desculpa de combate ao tráfico para tomar a Amazônia.
Como se comprar mais uns fuzis transformasse nossos guerreiros de gabinete em adversários à altura dos americanos. Ou como se a Amazônia já não estivesse nas mãos da bandidagem aliada da extrema esquerda. Não vai colar, ele terá que engolir, alegar soberania para defender bandidos lhe custaria caro na eleição.
E desconfio que ele não perderá muita coisa em termos de apoio do crime. Não sei como são essas negociações - talvez a Deolane, que circula entre as duas cúpulas, saiba -, mas acredito que ele demonstrou que fez o possível para evitar a classificação dos queridos como terroristas e sempre será melhor que o outro para eles.
A questão é conquistar o voto dos honestos, o dos bandidos é dele.
A imagem é de uma propaganda petista que encontrei por aí: "soberania!"

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