Noite de premiação na APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), você já imagina o que deve ser a lacração. Aí eles resolvem dar um prêmio para o Lima Duarte, que está com 96 anos e, em seu discurso de agradecimento, mencionou um episódio em que foi procurar uma prostituta quando era jovem.
O amigo lhe disse que havia duas ruas de prostituição, com dois preços diferentes. Com pouco dinheiro, Lima escolheu a mais barata, mas mudou rapidamente de ideia quando o outro revelou que naquela rua só havia mulheres pretas.
Em primeiro lugar, gosto é gosto, duvido muito que, por exemplo, o Vinicius Jr. convoque alguma negra para as festinhas dos jogadores. Tanto homens como mulheres podem se sentir mais atraídos por determinadas características do sexo oposto e não há crime algum nesse tipo de discriminação.
E o principal é que dá para perceber que o ponto é outro, o Lima está se referindo à influência da sociedade em sua antiga atitude, contando como as coisas eram naquele tempo, como os negros eram desprezados em geral, e como ele e o mundo foram mudando. Mesmo sendo um corte, entende-se o contexto.
Mas você sabe como é, se falar as palavras mágicas o botão dos zumbis é acionado. Esses dias queriam cancelar um cara que fez um filme criticando o tal blackface porque o ator fazia blackface no filme. O jornalismo foi atrás, mas no próprio evento já acusaram o Lima de "fala racista".
Carmen Luz, negra e premiada, tascou: "Esse trabalho é uma obra de vingar, mas também de vingança. Uma obra que invadiu Campinas para reverenciar o samba. O sambas das mulheres pretas, que não estão no mundo para serem recusadas. Mulheres pretas, levantai-vos, celebremos as nossas presenças."
Shirley Cruz, negra escolhida como melhor atriz, também deixou seu recado: "Sou uma mulher de pensamento próspero, de atitudes prósperas. Sou a prosperidade de minhas ancestrais. Prosperidade é um direito nosso. Vejam só, de rejeitados a premiados. Carmen Luz, te amo."
É tanta asneira que você fica pensando se elas têm consciência de estão comparando seu trabalho ao das prostitutas. Ou estão achando que estas têm direito à prosperidade e não podem ser rejeitadas. Não duvide se daqui há pouco estiverem defendendo que é preciso criar quotas raciais para a prostituição.
Não só as premiadas da APCA se incomodam. Semanas atrás, a militante racial Djamila Ribeiro tentava acusar o Vorcaro de exploração sexual internacional e percebia-se que, no fundo de tudo, havia uma bronca por ele só querer loiras. Mas não há o que fazer. Como já dizia a Marilyn, é a preferência dos cavalheiros.
Imagem: Marilyn é do tempo do Lima, se estivesse viva completaria 100 anos daqui a dias, no início de junho.

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