sábado, 16 de maio de 2026

Pequenos tiranos, de novo

"Figura-me inviável e completamente atentatório ao princípio da dignidade da pessoa humana proibir que o Estado fale, aborde, debata e, acima de tudo, pluralize as múltiplas formas de expressão do gênero e da sexualidade", declarou a Madrinha da Censura em sua decisão.

Segundo ela e a maioria do STF, o coitadinho do Estado estaria sendo censurado se uma lei do Espírito Santo não fosse declarada inconstitucional. Só que, mais uma vez, é mentira! A lei não impede o Estado de nada, só determina que os pais têm o direito de não expor os filhos a doutrinações da ideologia de gênero nas escolas.

Os votos contrários foram de Nunes Marques e André Mendonça, que lembraram o que diz o artigo 124 da Convenção Interamericana de Direitos Humanos: "os pais e, quando for o caso, os tutores, têm direito a que seus filhos ou pupilos recebam a educação religiosa ou moral que esteja de acordo com suas próprias convicções".

Não adiantou, os demais seguiram a opinião torta de Carminha, que além de não respeitar a Convenção assinada pelo Brasil e não se perguntar por que, afinal de contas, a escola precisa se meter com isso, confunde recusa a ver palestras sobre algum assunto com censura a esse tema. 

Eu não tenho visto nenhum, mas esses dias assisti de relance o Ricardo Feltrin brandindo livros escolares oficiais e afirmando que eles teriam a metade do tamanho se tratassem apenas de Matemática ou Português. Segundo ele, o conteúdo era pura propaganda ideológica da nossa esquerda lacradora.

Se a educação é importante, como é que um país pode avançar se, não bastassem os demais problemas, desvia os recursos do setor para outras atividades? Já são pelo menos vinte anos assim, sempre piorando porque os defensores da doutrinação acreditam que ainda não curaram o paciente porque a dose do remédio foi pequena.

Mas pior é a inversão de Carminha, que recorda a dos que acusavam o presidente Bolsonaro de censura por não dar dinheiro para seus filmes. Qualquer dia desses a escola vai obrigar meninos a se vestirem de meninas (ou algo parecido) e os pais terão que concordar sob risco de prisão.

É como a Madrinha já esclareceu em outra ocasião: lixem-se o que dizem as leis aprovadas pelos que são eleitos, a democracia precisa se defender desses milhões de pequenos tiranos que ameaçam a liberdade dos que controlam o Estado e têm o sagrado direito de fazer o que lhes der na cabeça.


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