Um esqueleto encontrado em 1988 nas Dolomitas venezianas — uma cadeia de montanhas que corta o norte da Itália — trouxe uma surpreendente revelação: um dos dentes do homem teve um buraco tampado, no mais antigo "tratamento" dentário de que se tem notícia, já que o esqueleto datava de 14 mil anos atrás.
Isso não é nem Neolítico, quando os instrumentos de pedra eram mais sofisticados. Trata-se do período Paleolítico, a fase inicial e mais grosseira da Idade da Pedra. Até então, a evidência mais antiga de operação de baixa tecnologia para manter a higiene bucal remontava a 7 mil anos atrás. No máximo 9 mil.
A "operação" foi realizada num molar inferior. A cavidade no dente foi diminuída com a utilização de um micrólito, uma ferramenta pequena e afiada que serviu para retirar o tecido infectado do interior do dente.
Os cientistas acreditavam que essa odontologia rudimentar havia evoluído de uma prática mais antiga de usar galhos e ossos para remover resíduos de alimentos entre os dentes. Em outras palavras, a turma já usava o tradicional palitinho, que hoje anda desmoralizado, mas antigamente era comum nas residências e restaurantes.
Bem, este era o estado das coisas até ontem. Hoje, a The Economist traz a seguinte chamada em seu resumo de temas mais importantes:
Vivendo na era da IA, pode ser tentador menosprezar a suposta inaptidão dos primeiros humanos. Isso seria um erro, Para algo diferente neste fim de semana, recomendo que você leia sobre a surpreendente sofisticação dos neandertais. Evidências de um dente de 59.000 anos sugerem que a odontologia pode ter origens mais antigas do que você imagina.
59 mil anos! E ainda com os neandertais, nossos prováveis ancestrais mais trogloditas. Isso também deve ter evoluído a partir do hábito de usar o galhinho para tirar a sujeira depois de comer o filé de mamute. Agora sabemos que os educados tinham razão: palitinho é mesmo coisa de gente grosseira.

Nenhum comentário:
Postar um comentário