"A turma de devotos quer Neymar entre os 26 a despeito do que estamos vendo em campo. A exigência escapa da arena da razão e mergulha no campo da veneração, esse sentimento que os homens são capazes de sentir por alguns outros homens de forma tão arrebatadora. Um tipo de adoração e de obsessão que beira a insanidade."
É a Milly Lacombe, na sua última tentativa de influenciar pessoas e impedir a convocação do Menino Ney. Foram vários artigos nos últimos tempos, dá para ver pelos títulos de sua coluna que o assunto disputou espaço com o curso do Cazarré. Até usar a vaga para fazer uma homenagem ao veteraníssimo goleiro Fábio ela sugeriu.
Mas parece que não vai adiantar. Segundo comentaristas esportivos, até os jogadores já garantidos na Seleção estão pedindo ao italiano que leve Neymar, Como Milly reconhece: "Há rumores de que a campanha terá final feliz e Neymar estará entre os 26. Ancelotti que lute para explicar tecnicamente a convocação se assim acontecer."
Explicar o quê? Desta vez vão 26, quatro a mais do que os dois por vaga dos velhos tempos. Neymar é o maior jogador surgido no Brasil nas últimas décadas. E depois dos cortes de Rodrigo e Estevão, quem ele deveria convocar? Algum desses craques que estão arrasando no clube europeu, dos quais a gente nunca tinha ouvido falar?
O cara não está no auge físico e talvez não seja titular absoluto, mas nem Milly se importaria com isso se Neymar não fosse um festeiro que aproveita a vida e a fortuna, um "macho tóxico" meio inconsequente que pega geral, um sujeito consciente que se lixa para o politicamente correto, abomina o ladrão e vota em Bolsonaro.
Se fosse o mimizento Vini Jr., que não dá uma perna do Neymar, Milly o defenderia porque ele "combate o racismo". A lacração/política é o verdadeiro critério dela e da maioria dos que não o querem. O Datafolha comprovou: dois terços dos bolsonaristas defendem a convocação de Neymar, mas pouco mais de 40% dos petistas o fazem.
Quem não quer Neymar é, em sua maioria, quem gosta de roubalheira, incompetência, censura e prisões políticas, quem detesta a bandeira e passa mal se vestir a Canarinho. É uma gente que não tem nada a ver com o Brasil e só infelicita o país ao tentar transformá-lo numa pocilga em que pode chafurdar com perversa satisfação.
Dos que estão aí, Neymar é o único capaz de ombrear com Pelé, Garrincha & cia. Ainda que passe a Copa no banco, ele contribui. E é claro que ele pode jogar. E pode fazer a jogada, aquela. Sem ele a Seleção é um burocrata que só vai bater o carimbo e voltar cedo pra casa. Neymar é a concessão à magia, ao inesperado do futebol.
É por isso que, ao se olhar no espelho para fazer a barba hoje, Ancelotti deve ter dito: "Dúvida por quê? Eu vou levar você."
Cursos
A Milly fez um curso para homens esses tempos, por que Cazarré não pode fazer o dele e não deveria ter sido convidado a debater na TV contra três lacradores? Ela explica: é que gente como ele é tão "negacionista" (do machismo etc.) como quem "nega o Holocausto", e com esses "fascistas" não se pode conversar porque eles tentam causar confusão. Discutir esses temas tudo bem, mas só entre gente que pensa como ela.

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