quinta-feira, 28 de maio de 2026

Jornalismos paralelos

O bom da mentira é que ela não conhece limitações. A verdade sobre um acontecimento é meio amarrada, só permite algumas poucas variações causadas pelas inevitáveis diferenças de percepção. Mas a mentira é livre para ser uma coisa no primeiro instante e outra completamente diferente no próximo.

A reunião do Flávio com o Trump é um exemplo disso. Segundo uma tal Raquel Krahenbuhl, da Globo, o senador brasileiro disse ter ficado muito tempo com americano, mas suas fontes garantiam que "o encontro foi rápido, Flávio e Eduardo entraram, deixaram documentos com assessores, tiraram a foto e saíram". 

Depois surgiu a versão, divulgada por membros da imprensa tão idôneos como Guga Noblat, de que nem para fazer a foto havia dado tempo. O que estava sendo apresentado era uma armação criada por IA. Uma brincadeira de criança que, apesar de envolver o presidente, a Casa Branca não se preocupara em desmentir.

O problema é que Flávio entrou pela porta da frente e, mais tarde, teve novos encontros com o primeiro escalão americano. Isso não combinava com um cara que passou correndo para deixar papéis com assessores e depois foi para o hotel fazer montagens com IA. Então a história mudou outra vez.

Essa última versão é divulgada por Mariana Sanchez, que milita na redação do UOL. Ela admite que a reunião durou mais de uma hora e dá detalhes de como esse tempo foi utilizado, garantindo que Trump passou 10 minutos descrevendo as reformas que realiza na Casa Branca e chegou a elogiar o Molusco.

Com essa multiplicidade de opções, o leitor pode até mesmo criar as combinações que mais lhe interessam. Eu escolhi uma em que Flávio entra correndo para deixar os documentos sobre o balcão - Eduardo ficou no hotel, mexendo na IA - e, quando já está fechando a porta, Trump grita: "Esse Lule é muito bacana, mande um abraço pra ele."

Imagens

Os sócios da Palmer, que se dedicavam a entregar pessoas para as perseguições do TSE na eleição anterior, continuam a monitorar as reações das redes sociais a determinados assuntos, em geral tabulando o que chamam de menções positivas ou negativas dos usuários.

Segundo eles, a foto com Trump levou Flávio a reverter uma tendência negativa que se mantinha desde que os petistas e sua imprensa começaram a escandalizar o financiamento do filme sobre Bolsonaro. Em suas palavras:

Às 17h do dia 26, com a foto ainda não publicada, Flávio operava com 41% positivo e 51% negativo. Na hora seguinte, com a imagem circulando nos grupos, saltou para 61% positivo e 39% negativo. Às 20h, no pico do dia, fechou em 65% positivo e 35% negativo. Em três horas, o sentimento positivo subiu 22 pontos.


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