Todos sabem que as facções mandam votar no PT e os faccionados obedecem. Todos veem como o Lara se refere aos "nossos" criminosos, que também são seus "meninos". Mas é curioso como pouco se fala do papel da tal Deolane, através de quem se pode estabelecer um elo direto, pessoal, entre as cúpulas das duas organizações, PCC e PT.
As manchetes de hoje dizem que ela e o chefão Marcola foram indiciados por lavarem dinheiro para o PCC. E não há nenhuma surpresa nisso. Advogada, ela já cansou de declarar que gosta de defender bandidos de verdade. E sempre o fez com um entusiasmo que em muito ultrapassa o de uma legítima opção profissional.
Em sintonia com essas preferências, Deolane também confessa ser admiradora do mais famoso descondenado do país. E a atração é correspondida, pois não faltam postagens com fotografias e declarações de afeto entre ela, o sujeito e aquela que seu filho que fugiu para a Espanha chama daquele nome.
Não há como não comparar. Imagine o que diriam nossos jornalões se uma moça ligada à chefia do crime organizado frequentasse a residência do casal Bolsonaro. Fariam um escândalo. E teriam razão, porque seria mesmo escandaloso. Mas agora, quando a situação se apresenta de fato, eles só assobiam e olham para o lado.
Em casa
Desde criança a gente percebe quem está à vontade com outros ou não. Nem precisa ser ao vivo, basta uma foto. Há uma diferença visível entre um encontro meramente social e aqueles em que as pessoas se sentem como se estivessem em casa, com liberdade para abrir a geladeira e colocar os pés sobre a mesinha de centro.
Deolane com o casal abjeto se enquadra na segunda situação, ela deve se sentir tão bem entre eles como com seus faccionados. Outro excelente exemplo disso eram as reuniões do Foro de SP em Cuba, quando Fidel estava vivo eles pareciam irmãos que se reencontraram para festejar o aniversário do velho pai.
E algo não tão forte, mas nessa linha, se vê agora entre os Bolsonaro e o pessoal do Trump. A própria jogadinha combinada de chamar Flávio a Washington antes de anunciar a classificação das facções como terroristas foi decidida racionalmente, mas é um reflexo dessa cumplicidade.
Sobe ou desce?
Os americanos passarão a dificultar o envio de cocaína para a América do Norte e a Europa, mas os produtores não a substituirão por culturas de milho ou feijão. Se não surgir outra opção, a oferta para o segundo mercado mundial, que é o Brasil, deve aumentar. E se isso acontecer o preço para o consumidor local deve baixar.
Talvez o produto tenha realmente ficado mais caro no primeiro instante, mas isso é coisa de especuladores que querem se aproveitar da confusão trazida pela novidade, manipulação do mercado. Com mais algum tempo tudo se acerta. Lindinho e a desembargadora podem relaxar.

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