Houve um tempo, principalmente depois que o marqueteiro transformou o sindicalista raivoso em um boa-praça "paz e amor", que o PT e seu líder se vendiam, e eram comprados pela maioria, como ícones da honestidade. A campanha petista de 2002 prometia o fim da fome e da corrupção que roía o país.
O sujeito se elegeu sem plano para nada. Mentiu que tinha recebido uma herança maldita enquanto seguia o que FHC havia deixado. Trocou nomes de programas já existentes (como Luz no Campo e Bolsa Escola) e mentiu que os tinha criado. Trocou a dívida externa por uma com juros maiores e mentiu que combatia os banqueiros.
O mundo passava pelo boom das commodities e o dinheiro que estava entrando mascarava os desperdícios, a oposição tucana era tíbia, boa parte da imprensa já estava tomada pela esquerda e ninguém apertava o mentiroso que ainda era visto como alguém um pouco simples, porém honesto.
Foi então que surgiu o Mensalão, o maior caso de corrupção que o país já conhecera. A máscara caiu, as pesquisas do final de 2005 indicavam que malandro estava acabado, bastava deixá-lo sangrar até a eleição. Mas ele foi jogando a culpa em outros, o opositor era o fraco Alckmin... e no fim se reelegeu.
Depois ele roubou de novo, e de novo, e de novo. Chegou a ir para a cadeia por esquemas que transformaram o Mensalão em brincadeira infantil, saiu e já roubou os aposentados com o filho e o irmão. E nada disso, ou das suas demais mentiras e maracutaias, lhe foi cobrado com muita ênfase.
É como se aquela primeira absolvição tivesse lhe dado uma licença especial para mentir e roubar. O pessoal olha e diz: "ah, ele é assim mesmo, é o seu jeitão". E isso não acontece só entre os cúmplices com que ele foi aparelhando o país ou entre os militantes disfarçados de jornalistas, atinge até a oposição.
Do outro lado, no entanto, é diferente. Ter obtido o financiamento de um empresário que depois se descobriu ter cometido falcatruas é crime inafiançável. Alegar cláusula de confidencialidade para ter negado o contato com ele é a prova de que a operação deve ter alguma ilegalidade, mesmo que não se saiba qual é.
E isso não é de agora. Lembremos das joias que o presidente guardou como a regra manda, mas chegaram a ser tratadas como roubo pelas mesmas pessoas que viram outros deixarem o cargo com caminhões repletos de presentes. Imagine o que diriam se ele tivesse quebrado os Correios ou mentido que daria picanha para todos.
Coloque-se na situação: dos adversários exigem perfeição e mais um pouco, de você tudo perdoam. Deve ser mesmo uma delícia ser petista.

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