quinta-feira, 30 de abril de 2026

Nunca antes neff paiff

O cometa de Halley passa, em média, a cada 76 anos. Mas ele já passou duas vezes depois que o Senado recusou um nome indicado para o STF, no século 19. E nem dá para contar as outras recusas porque aconteceram em rápida sequência no governo Floriano Peixoto, logo que o tribunal foi criado e as novas regras não eram tão claras.

Estabelecida a norma na prática, coube a cada presidente indicar um nome adequado e ao Senado aprová-lo quase automaticamente. Foi assim na Primeira República, na era Vargas, no regime militar, em todo o tempo. Nunca antes na história deste país um indicado havia sido reprovado pelo senadores. 

Para que isso acontecesse foi necessário reunir alguns fatores que se combinam: um presidente ilegítimo que ainda estaria na cadeia se o STF não rasgasse a lei; um governo desastroso; um candidato que promove a censura como AGU e sempre se comportou como militante; a tentativa de controlar a sociedade de maneira autoritária.

Com exceção do gado idiota que continua a esperar o arcabouço e a picanha, ninguém mais aguenta ver a economia sendo empurrada para não desabar de imediato enquanto psicopatas corruptos censuram e perseguem inocentes. Até quem achava que só o vizinho pode se dar mal começa a perceber que amanhã o vizinho pode ser ele.

O certo era fazer um impeachment geral, do cachaceiro presidencial aos ministros que se acham deuses. Mas na prática isso é difícil e, na medida em que a regra era aprovar o indicado, sua reprovação valeu por um impeachment prévio. Ele ficaria 29 anos atrapalhando o país com sua militância; que pena, não ficará um dia sequer.

O choro é lindo

A militância de redação segurou as lágrimas, fingindo que é imparcial e nem sentiu. Mas dá para imaginar como foi a coisa nos bastidores, entre os supremos, para o sindicalista picareta que se vendia como diplomata de nível mundial, para os familiares que já contavam com contratos multimilionários de três décadas.

Corremos o risco do cachaça indicar outro nome até o final do mandato? Ele poderia aprovar o Pacheco, mas se humilharia junto ao Alcolumbre. Se indicar outro Bessias pode colher uma segunda derrota em pleno período eleitoral. Acho que não vai indicar mais ninguém, vai chorar escondido e dizer publicamente que nem sentiu.

Homem de Deus

Apesar de seu histórico político, Bessias frequenta uma igreja evangélica e o desgoverno se aproveitou disso para tentar vendê-lo como alguém razoável. Deu certo com muitos pastores, que passaram a pedir sua aprovação a seus líderes políticos. E estes tiveram que esclarecer muito bem a sua posição.

Para tal, Damares, a senadora mais evangélica, e o deputado Sóstenes Cavalcante, líder dessa bancada, procuraram Bessias e o abraçaram afetuosamente em público. Depois explicaram que o respeitavam como ser humano e irmão de fé, mas as diferenças políticas impediam que eles e o seu partido (PL) o aprovassem.  

Nada anormal, mas teve gente que viu no abraço uma prova de que o PL seria uma espécie de linha auxiliar do PT. Para estes, fica a dica: você tem que ver como o cara vota. Tratar o adversário com respeito é votar contra ele é alta política. Linha auxiliar é quem faz teatrinho com espada na mão e dancinha, mas na hora de votar ajuda o PT.


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