A mídia e as pessoas que hoje acusam o menino Ney de machismo passaram décadas dizendo que as mulheres às vezes saíam da caixinha porque estavam "naqueles dias", sob o domínio de loucos hormônios que as deixavam descompensadas, fora de controle. Até lei que prevê dois dias de "folga menstrual" foi aprovada na Câmara meses atrás.
Agora, no entanto, ao dizer que o árbitro do jogo "estava de chico", Neymar estaria desqualificando as mulheres, insinuando que elas são seres descompensados, fora de controle e da caixinha. Mas não era assim que elas ficavam no período mencionado? Parece que não, é bom avisar ao Senado que nem precisa mais analisar a tal lei.
Pode uma coisa dessas mudar de repente? Mesmo que você levasse a sério o Érika Silva, para quem surgiu um tipo de mulher que não tem útero e não menstrua, ainda existiriam exemplares do modelo antigo. Estas teriam sofrido uma alteração genética e finalmente se livrado da ditadura dos hormônios?
Não, mas seria mais fácil se livrarem dela do que da ditadura que está atuando neste caso, que é a da moda. Gostem ou não, as moças sempre foram mais facilmente manipuladas pela propaganda do que os rapazes. Só o que mudou foi o tema: antes era a altura de saia que mudava de um ano para o outro, agora é o comportamento.
Na verdade sempre foi. Criança, na praia, eu acabava lendo as fotonovelas das primas mais velhas. Nos primeiros anos a mocinha sempre resistia aos arroubos masculinos e casava virgem; tempos depois ela podia ser seduzida por um cafajeste que a abandonava, mas ainda terminava com o galã. Mensagem transmitida com sucesso.
E assim é com muitas outras coisas. Não duvido que reclamar daqueles dias esteja realmente saindo de moda. No mínimo porque isso "marginaliza as mulheres trans" ou coisa similar. No máximo para tratar o fenômeno como doença que precisa ser prevenida pela nova vacina que toda mulher deverá tomar e os governos comprarão a peso de ouro.
Janja emputecida
Obrigada a se esconder para não atrapalhar o desgoverno com sua antipatia, Janja sentiu que o projeto da misoginia era uma chance para reaparecer e brilhar. Armada de mentiras e lugares-comuns, fez um vídeo atacando Nikolas Ferreira e outros críticos da legislação absurda. "Agora eu se consagro entre as mulheres", deve ter pensado.
Coitada, levou como resposta uma paulada demolidora que alcançou uma audiência trinta vezes maior e encerrou a polêmica. Sim, ao contrário do que acontecia em outras ocasiões, nem ela, nem jornalistas de esquerda, nem políticos, ninguém teve coragem de rebater o menino Nikolas, nenhum deles quis levar o assunto à frente.
Porém a explicação para isso não está no conjunto da obra, e sim num pequeno trechinho dela. No meio do seu vídeo, Nikolas mostra a prova impressa da declaração que foi gravada enquanto repete com todas as letras: "O filho do Lule, teu enteado, te chamou de puta."
Como dar continuidade à discussão sabendo que isso só aumentaria a visibilidade da frase maldita? Janja certamente ficou puta naquele outro sentido e demitiu dois puxa-sacos, mas teve que engolir em seco e ficar quietinha. E o mesmo fez a militância petista nas redes e nas redações.
Imagine o escarcéu que as vagabundas da Folha/UOL e outros "defensores das mulheres" estariam fazendo se o autor da declaração fosse Neymar, Bolsonaro ou outro qualquer. Mas a coisa envolve painho, o macho alfa que as comanda. Ele e o filho podem bater à vontade que elas gostam.

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