Os números não são estáticos, mas a diferença entre 75 e 55 não pode ser eliminada de uma hora para outra. São duas rejeições, dois sentimentos negativos. A maior é a do atual STF, hoje percebido como ruim por cerca de três quartos da população; a menor é a do desgoverno, que ainda engana mais do que deveria.
É difícil convencer os 45% que ainda conseguem ver o desastre dos últimos anos como algo positivo. Com eles provavelmente não adianta falar de novo em taxa da blusinha, descalabro financeiro ou preço do mercado. Mas a boa notícia é que cerca de metade dessa gente, pelo menos 20% do total, já entende o que se tornou o STF.
Falta mostrar a essa fatia do eleitorado que os dois, desgoverno e STF, são duas cabeças do mesmo monstro. Se o lerdo ainda não se convenceu depois de quatro anos sem picanha, pode ser que acorde ao compreender que existe uma ligação umbilical entre os dois componentes do regime pt-stf, ou luloalexandrino.
Nesse sentido, é interessante que a oposição tenha, ao que parece, decidido encarar com mais energia os habituais abusos do STF. É arriscado para quem se expõe, mas cada reação raivosa dos semideuses reforça a opinião negativa sobre eles e escancara, por contraste, a sua simpatia com o desgoverno.
O Lara farejou esse risco no ar e, com o cinismo que lhe é peculiar, andou tentando se descolar do amigo irmão camarada a quem teria dito que cargo público não é para o sujeito enriquecer. Mas acho que neste caso não vai funcionar.
85 e 70
Baseado no nosso quase um milhão de presidiários, chuto que devemos ter umas quatro milhões de pessoas vivendo do crime e cada uma deve ter pelo menos um familiar que vota como ela. Com isso chegamos a 8 milhões de eleitores. E, conforme a amostragem dos presídios, uns 85% deles votam no antigo colega.
Considerando esses números, esse segmento lhe deu uma vantagem de 5,6 milhões de votos na última eleição. Mas se a sua popularidade entre os bandidos fosse de "apenas" 70%, ele teria perdido 2,4 milhões de votos de vantagem e a própria eleição, que, apesar de outros fatores, venceu por 2,1 milhões.
A conta pode não ser bem essa, mas é por aí que o PT rebola no "combate ao crime". A chefia da bandidagem sabe que é só teatro e o partido precisa disfarçar. Mas se um pequeno percentual de criminosos for afetado por alguma medida efetiva do partido e se indignar com a traição do CPX a ponto de mudar seu voto, ele pode dançar.
Ramagem
Talvez algum alto assessor tenha dado uma forcinha, mas não imagino Trump se envolvendo diretamente no caso do Ramagem. No entanto, o Neto-do-Ditador e o Bananinha têm mesmo que lhe agradecer como se fosse um favor pessoal. E como foram os petistas que inventaram que o tema envolvia os dois governos, não podem agora dizer o contrário.
Tia Lúcia perguntou: "Por que dois fugitivos da Justiça do Brasil, marginais do establishment dos EUA, são fontes de comentário com credibilidade para a mídia brasileira no caso do espião fugitivo preso pela imigração americana?"
Porque os dois foram os únicos que sempre disseram a verdade. Satisfeita, tia?

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