Desinformados sobre o que acontece na prefeitura de sua cidade, os brasileiros estariam agora acompanhando com lupa a conjuntura internacional. Pelo menos é o que sugere a Folha de hoje ao defender, em editorial, que o Lara pode se beneficiar da rejeição da maioria do nosso povo à guerra do Irã.
Você é a favor da guerra, perguntou o Datafolha; não sou, responderam 70%. Mas a questão é se esses 70% são pouco ou muito, pois a tendência é a pessoa ser contra guerras em geral e eu não lembro de nenhuma enquete sobre alguma delas para estabelecer uma comparação. Acho que nem a Folha, pois não abordou esse aspecto.
Mesmo sem esse dado, me pareceu muito mais significativo que 20% (40% entre os que se identificam como bolsonaristas) dos entrevistados tenham apoiado o ataque dos EUA e de Israel contra o Irã. Duvido que você encontre apoio semelhante ao ataque da Rússia contra a Ucrânia, por exemplo.
Realmente altos, beirando a unanimidade em alguns casos, são os números dos que acreditam que o conflito afeta ou afetará o preço dos alimentos (92%), a economia (87%), o Brasil (84%) e a eleição (75%). Mas o pessoal não diria o mesmo sobre a guerra da Ucrânia ou outra crise internacional? Desconfio que sim.
E desconfio mais ainda que o Descondenado possa se beneficiar dessa situação como pensa-deseja o editorialista da Folha, convencendo alguém de que seu governo é maravilhoso e só surgiram uns probleminhas por culpa da guerra inventada pelo Trump e pelos Bolsonaro que o apoiam.
Eu já vi o pessoal na fila e a própria caixa do mercado lascando o pau no Molusco por causa do preço dos produtos. Posso estar enganado, mas acho que não verei ninguém dizendo: "Que horror o aumento do tomate, maldito Trump imperialista que inventou essa guerra para nos prejudicar."
Pode até não cair bem essa tentativa de tirar o corpo fora, pois os truques evasivos do velhote pilantra já cansaram boa parte da população. Quanto à militância de redação, não deixa de ser divertido ver o pessoal que acusava Bolsonaro pela pandemia inverter totalmente seu discurso sobre o efeito de crises vindas de fora.
O ataque pode vir de outro lado
Vamos agora à parte do que eu penso-desejo. Acredito que Trump não vai morrer pela nossa atual oposição, mas nos dará uma ajuda considerável classificando em breve, antes da eleição, os nossos grupos narcoterroristas como aquilo que são.
Uma paulada dessas representaria uma interferência direta em um assunto que até agora foi interno e exigiria uma resposta do ladravaz. Se ele nada disser em contrário, acaba com seu discurso anti-Trump; se combater a medida em nome da "soberania" será visto como defensor dos bandidos de que já depende eleitoralmente.
A propósito, o deputado Luiz Philippe acredita que Trump pode e tende a nos ajudar na questão das urnas eletrônicas e da lisura eleitoral. Maiores informações na sua coluna de hoje da Gazeta do Povo.

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