sexta-feira, 17 de abril de 2026

Algoritmo olavista

Ele tem outras atividades e hoje talvez pudesse viver delas, mas João César de Castro Rocha é basicamente um dos tantos professores universitários que nossos impostos sustentam para viver em uma bolha dedicada a fazer propaganda da extrema esquerda e formar fanáticos que um dia assumirão o seu lugar.

Como se esperaria de um sujeito capaz de levar a sério o "julgamento" das velhinhas golpistas, JC considera "particularmente grave" a influência que Olavo de Carvalho continua a exercer - e continuará, em sua opinião -, "porque seus pensamentos têm como marca o desprezo à universidade e a incapacidade de lidar com o outro". 

Nenhuma novidade nisso. Mas eu me surpreendi esses dias ao ver, nos shorts do Youtube, um vídeo em que JC elogia o Olavo sob ângulos como o seu enfoque do estímulo contraditório - método para quebrar as defesas psicológicas do indivíduo e levá-lo a duvidar de suas percepções espontâneas, reduzindo-o a um estado em que ele aceitará como naturais os comandos mais absurdos. 

O mecanismo seria utilizado por manipuladores diversos, de engenheiros sociais racionais a gurus como Gurdjieff e Osho. E até aí estava tudo bem para um vídeo curto, sem espaço para muita explicação. Mas quando eu já me preparava para lhe dar um 10, JC estragou tudo dizendo que essa também era a base do algoritmo do próprio Youtube.

Caramba, JC! Para ser sucinto: estímulo contraditório é o que vocês fazem quando querem obrigar o cidadão a dizer que um homem de peruca é uma mulher que deve ser respeitada como tal; ou, pior, quando sustentam que isso não vale se quem coloca a peruca é o Nikolas e só lhe cabe acatar essas regras mutáveis sem pensar. 

O algoritmo é o inverso disso. Se eu passar mais tempo observando vídeos de mulheres de biquini ele vai me trazer mais deles, não de homens em trajes sumários. O algoritmo é um vendedor que não tenta mudar o gosto do cliente, mas lhe oferecer um cinto que combine com o sapato que ele acabou de comprar.

Eu sei que o JC é um dos tantos esquerdistas que tratam o "algoritmo" como algo meio mágico, tão ou mais maligno que as ideias do Olavo. Mas a sua associação ao estímulo contraditório foi tão despropositada que eu procurei uma declaração um pouco mais longa do sujeito sobre o tema. 

Logo encontrei uma em que ele reconhece o óbvio: o algoritmo é um meio de prender a atenção do usuário. É também um selecionador quase indispensável em função da imensidão de informação disponível. E como tende a colocar as pessoas em bolhas, a formação dessas bolhas é uma decorrência natural da internet.

O problema é que o JC fala disso como de uma conspiração, de algum meio escuso de manipular as mentes da população - como um estímulo contraditório, diga-se de passagem, talvez aí esteja a relação que ele vê entre os temas. E eu acho que essa confusão se deve a dois fatores.

O primeiro é que ele despreza a capacidade de escolha do cidadão. O algoritmo começa me mostrando um pouco de tudo, é só quando eu me interesso pelo sapato azul que ele me oferece mais cintos azuis que de outra cor. E se amanhã eu der uma olhada num preto, ele vai me mostrar mais deles também. Ele muda comigo, não me muda. 

Mas o fator mais importante é o que foi citado logo no início: JC vive numa bolha. Isso não é ofensa nenhuma, todos nós vivemos em bolhas. A diferença é que a bolha dele é a que se pretende a detentora da verdade final, a única não-bolha capaz de julgar todas as outras. E de condená-las por não seguirem sua sábia orientação, de "desprezarem a universidade" como lhes ensinou o danado do Olavo.


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